A HISTÓRIA DO POVO TERENA

RESUMO – A HISTÓRIA DO POVO TERENA

A história do povo terena é extensa e está ligado as histórias de muitos outros povos indígenas, dos europeus e de africanos da época de escravidão. Muitas são as fontes de informação para saber sobre a história desse povo, como a cultura material que estão contidas em objetos de cerâmica instrumentos musicais e outros objetos; e textos escritos feitos por brancos que já estabeleceram relações com esse povo. Mais uma das fontes mais importantes é a língua falada, os Terenas falam uma língua parecida com os Laiana e Kinikinau de origem comum denominada Aruák, e por meio dela pode-se perceber as origens, os contatos com outras populações e os lugares de procedência.

Os povos Aruák, habitaram principalmente as Guianas, Norte do Brasil e ilhas da América Central. No começo da colonização portuguesa esses povos disputavam terras com os Karib. Os povos indígenas que falam Aruák aqui no Brasil são agrupados em regiões em que vivem: Norte do Rio Amazonas, Sul do Rio Amazonas, Alto do Rio Xingu, e Região mais Meridional onde estão localizados os terenas.

As populações indígenas brasileiras são diferentes entre si, elas não são um só povo e sim diversos povos. Cada povo possui usos, costumes e crenças próprias, falam línguas diferentes e possuem histórias distintas.

É complicado saber das origens dos povos, pois cada povo tem sua maneira de contar suas origens.

Já no aspecto histórico dos Terenas, três momentos são relembrados: o período dos Tempos Antigos, Tempos de Servidão (Guerra do Paraguai) e o último corresponde a delimitação das terras indígenas até o presente.

Sobre os Tempos Antigos, os mais velhos das tribos contam que os Terenas viviam antigamente no Exivá, conhecido como Chaco pelos purutuyé. As tribos que falavam Aruák eram conhecidas como Guaná.

Os Guanás habitavam o Chaco junto com os Mbaya Guaicuru e os Guarani. Esses povos estabeleciam muitas relações, mas o contato entre os Guarani eram conflituosos.

Já com os Guaicuru eles estabeleceram alianças, os Guaicurus protegiam as aldeias dos Guanás, e estes por sua vez forneciam alimentos e roupas.

 As relações com os brancos não eram amistosas. Os europeus que iam
às minas, realizavam expedições pelo rio Paraguai, e acabavam batalhando pelas terras entre si, ou seja, portugueses contra espanhóis; e contra os indígenas.

Ainda na relação com os brancos, os indígenas eram forçados a aprenderem ao catolicismo, realizados por missionários.

Durante as guerras por essas terras, os Guanás e os Guaicurus deslocaram-se para o Mato Grosso do Sul no século XVIII, para fugir desses conflitos. Mas depois de algum tempo os europeus também chegaram a área, e os portugueses construíram fortes na região. Com a chegada dos portugueses a região, a relação entre os Guaná e os Guaicurus enfraqueceu e os Guaicuru fizeram acordos com os portugueses.

Desenho de Hercule Florence, participante da Expedição Lansdorff (1835 – 1829).
Desenho de Hercule Florence, participante da Expedição Langsdorff (1825 – 1829), p. 43.

Antes da Guerra do Paraguai, a região colonizada pelos portugueses permaneceu unificada após a independência, mas colônias espanholas se separaram. Então no Vice-Reinado do Prata surgiram quatro países: Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia

Após a independência muitos conflitos surgiram por causa da delimitação das fronteiras, organização no território e direito de navegação no Rio Paraguai.

O Paraguai queria meter um território litorâneo para importar e exportar produtos e por isso conflitos com Argentina e Brasil surgiram. Com o Brasil o conflito estava ligado com controle de navegação do Rio Paraguai.

Assim, quando o governante Solano López invadiu o Mato Grosso e iniciou invasões em territórios brasileiros e argentinos os países: Uruguai, Argentina e Brasil se uniram na Tríplice Aliança para derrotar os paraguaios.

O Brasil utilizou tropas de africanos escravizados e povos indígenas como Guaicurus e Terena. A Inglaterra ajudou com armamento.

Após anos de luta o Paraguai perdeu, é o Brasil demarcou as fronteiras como achou melhor, e Inglaterra também explorou as riquezas do Paraguai.

Durante a Guerra do Paraguai, Alfredo de Taunay, que era escritor, engenheiro e participante da Guerra, deixou diversos escritos que contavam sobre os Terenas. Em alguns escritos ele disse que os Terenas participaram como soldados na Guerra do Paraguai e em outro escrito é relado que houve uma epidemia de cólera, que acabou matando alguns terenas. Além desses relatos muitos outros foram feitos.

Entre os Terenas também existem diversos relatos, como sobre a história de Kali Siini, que é considerado um herói que participou da Guerra do Paraguai. Ele derrotou muitos paraguaios, conforme o relato de Dona Maravilha, Cachoerinha.

Até o ano de 1850 as terras brasileiras eram doadas pelo governo para pessoas confiáveis. Então em 1850 foi decretada a “Lei de Terras”, no qual as terras poderiam ser comprados ou vendidas

As terras devolutas eram terras sem registro de proprietários, e elas também foram autorizadas a serem vendidas. Entre essas terras foram incorporadas as terras dos índios que não viviam em aldeamentos. As terra dos ” índios bravos” o governo reconhecia a posse, mas o ” índio manso” era expropriado da terra.

Os Terenas lutaram na Guerra do Paraguai para garantir as terras em que viviam, mas esse direito não foi garantido pelo governo já que as aldeias estavam sendo disputadas por oficiais desmobilizados do Exército Brasileiro e de comerciantes.

Assim as fazendas cresceram na região do Mato Grosso, e os Terenas acabaram trabalhando nessas fazendas. Todo esse período é conhecido como Tempos de Servidão

Em 1888 e em 1889, enquanto os terenas ainda viviam no Tempo de Servidão, o Brasil passou a ser uma república e o café virou o principal produto de exportação no Brasil. Por isso foi ampliado a construção de estradas de ferro e de linhas telegráficas para melhorar a comunicação e transporte entre litoral e interior.

Uma comissão foi criada para ligar o trecho telegráfico de Cuiabá até a fronteira com a Bolívia e Uruguai. Essa construção contou com a mão de obra dos índios. Primeiro foram os Bororó e mais tarde os Terenas.

Os terenas também participaram da construção da Estrada de Ferro Noroeste, em 1905, que ligava Corumbá, em Mato Grosso, até Bauru. Nessas obras houve resistência dos kaingang, pois elas estavam invadindo seus territórios, mais com os funcionários da SPI (Suporte de Proteção aos Índios) fizeram um tratado de paz.

Muitos grupos indígenas foram exterminados nas lutas para manter sua independência. Por isso, a partir do início do século XX, o governo Republicano foi obrigado a cuidar de questões indígenas

Nessa mesma época, ou jornais começaram a denunciar as invasões em territórios indígenas e também os atentados dos “bugreiros”, que eram assassinos de índios (bugres).

Até 1910 muitos debates surgiram em torno dessa questão dos indígenas e a situação se agravava muito. Era difícil estabelecer uma política, pois as opiniões eram divergentes entre si, por exemplo, alguns queriam exterminar os índios e outros queriam que eles fossem transformados em trabalhadores.

Então a partir de 1910, foi criado o Serviço de Proteção aos Índios e a Localização de Trabalhadores Nacionais (SPI-LTN). Rondon fundou e dirigiu o SPI e impôs algumas linhas de atuação, como “pacificar” índio hostis, criar reservas indígenas, educar os índios e protegê-los.

Algumas famílias terenas conseguiram se manter em pequenos núcleos próximos às fazendas. Esses núcleos eram integrantes da Comissão das Linhas Telegráficas, em 1904, e aproveitaram esse trabalho para solicitar a garantia de posse de suas terras.

Rondon era um intermediário, e algumas comunidades foram demarcadas em 1905. Essas áreas eram muito pequenas e por isso que os indígenas continuaram trabalhando nas fazendas.

Em 1918, foi criado um posto de Cachoeirinha com o propósito de proporcionar apoio aos terenas, mas o encarregado do posto começou interferir nos aspectos de vida dos terenas, com isso muitos deles saíram do local.

Em 31 de março de 1964, o SPI encerrou suas atividades no período da ditadura militar, e foi substituído pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), em 1967.

Então com a administração das “changas” (trabalho temporário nas fazendas e usinas de açúcar) e com uma fonte de renda que ela proporcionou, o problema da sobrepopulação das reservas começou a ser resolvida.

Desde 1984, a Funai elegeu todas as áreas terenas como passíveis de ampliação, exceto Buritizinho, Limão Verde e Nioaque. Desta forma a Funai não resolveu os problemas dos terenas a viverem com autonomia e dignidade pois não aumentou todas as suas terras.

Muitas foram as mudanças na história do povo terena, que foi influenciada pelo contato com outros povos. Porém algumas características continuar mantidas, como a língua e festas.

Nas vestimentas, Fernando Altenfelder comenta que “o vestuário mais comum era o xiripá, um saiote que ia dar cintura até os joelhos (…) de cor preta. (…) O cabelo era puxado para cima e amarrado para trás da cabeça”. E ainda afirma que a pintura corporal era muito importante, elas eram riscas em preto e branco, feitas com jenipapo e carvão vegetal.

Já na moradia, os antigos terenas moravam em casas retangulares com portas simples. Elas eram longas, de teto arqueado e sustentada por uma viga Central. A cobertura era feita de sapé ou folhas de acuro. Todas as casas eram distribuídas em círculo e nelas haviam jiraus para dormir, esteiras de piri, tapetes de pele, cestas e etc.

As mulheres que realizavam tarefas de fiação, cerâmica e cuidados caseiros. Na fiação, era usado fibras de palmeiras e de um arbusto (yuhi), para fabricar bolsas. Também eram fabricados cestos e abanicos com carandá, piri e bambu.

Na cerâmica eram empregados processos de espirais de argila na fabricação de potes e panelas. Elas eram secadas ao sol e cozidas, e depois eram pintadas com resina de pau santo e com cores vermelho e branco.

O milho, a mandioca, o humo, o algodão e a batata doce eram uma das principais plantas cultivadas. Todos eles eram cozidos ou assados. Também eram consumidos alimentos de coleta na mata como o mel, ovos e frutos.

Em relação à família, os pais e filhos respeitavam tinha muita afeição. E o casamento era uma decisão familiar.

Existiam muitas cerimônias, entre elas as dos mortos, no qual havia muitas lamentações e os animais preferidos do cadáver em vida eram sacrificados enterrados juntos.

Todos esses aspectos compõe a vida cotidiana dos Terenas.

Gabriel Roque Shimada, estudante do 1º Ensino Médio A em 2019.

REGISTRO e PESQUISA da LAPA do SANTO

REGISTRO e PESQUISA da LAPA do SANTO

Escavações na Lapa do Santo – YouTube

1°VÍDEO

O trabalho na Lapa do Santo,  é a continuação do projeto iniciado por Walter Neves.  Rodrigo e o professor André Strauss, foram alunos do Walter.  No final do projeto “Origens”, iniciado por Walter Neves, Rodrigo e André decidiram continuar com as escavações na Lapa do Santo em 2011.

    A Lapa do Santo chega até 4,5 metros de sedimento, essa formação levou entre 10.000 e 10.500 anos antes do presente. Na região de Lagoa Santa, tem registro de formação de sentimentos mais antigos, como o sítio Lapa Vermelha quatro, onde foi encontrada a famosa Luzia.

     Uma escavação arqueológica é uma pequena parte do trabalho. Esse material que é encontrado é encaminhado para o laboratório da Universidade de São Paulo, e passa por um processo de limpeza, remontagem, e a partir dessas duas etapas esse material começa a ser estudado.  Seja o estudo para entender como esse indivíduo foi enterrado, se ele foi enterrado mais de uma vez ou não,  até se ele teve doenças ao longo da vida, que deixaram marcas nos ossos.

      O outro objetivo das escavações da Lapa do Santo, é continuar a encontrar sepultamentos humanos, porque o estudo dos esqueletos humanos, obtém diversas informações que nos ajuda a interpretar o passado dos primeiros habitantes do Brasil.

     Esses fósseis nos da  a perspectiva de como era a cultura desse indivíduos, desde os rituais funerários, padrões de atividades, até as questões arqueogenéticas, que discute a morfologia desse esqueletos, e seu material genético.

      Como qualquer trabalho arqueologico, estas escavações da Lapa do Santo se iniciam com uma pergunta especifica que a escavação potencialmente permita responder, com as informações obtidas dela. Claro que por outro lado nunca se tem certeza do que irá se encontrar nesses sítios arqueológicos.

       O exemplo disso é um crânio que encontraram em 2007, que mostra o primeiro caso de decapitação já ocorrida na América, como André Strauss explica ninguém esperava por isso.

Rodrigo Oliveira – bioantropólogo do Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva da USP.
André Strauss bioarqueólogo – Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva da USP.

2°VÍDEO

O que observamos principalmente na área da bioarqueologia são as doenças que danificaram ossos e os dentes. Os dentes na maioria das vezes apresentam danificação causada por cáries, doenças de gengiva, tártaro e problemas de canal. A alta frequência de cáries nos indivíduos era comum devido ao consumo de carboidratos, geralmente presente naqueles que eram dos grupos relacionados à agricultura.  A grande quantidade de frutos disponíveis no cerrado brasileiro favoreceu esta causa das cáries.

     Quando olhamos para uma população que não têm higiene bocal, as mulheres apresentam uma quantidade maior de cáries do que os homens da mesma população. A causa disso tem duas linhas de estudo, uma delas afirmam que as variações hormonais e as gravidezes, favoreceram uma diminuição no sistema imunológico. A segunda linha de estudo explica que a mulher tem uma relação mais íntima na preparação do alimento, grande parte dos caçadores-coletores onde não ocorre essa preparação do alimento, os homens sempre ficaram responsáveis pela caça, e as mulheres praticavam bastante a coleta, como isso elas consumiam muito mais frutos, vegetais e raízes do que os homens, que consumiam mais carne.

     A cárie é uma dissolução ácida do dente, o tártaro é a calcificação da placa bacteriana. Um indivíduo que consome mais carne produz mais amônia, que é liberada do organismo em forma de ureia.  Essa ureia sai na saliva aumentando o seu pH, favorecendo o acúmulo de tártaro.

    Grande parte dos alimentos vegetais contém microestruturas, que são chamadas fitólitos. Esses fitólitos ajudaram no desgaste do dente e ficaram presos no tártaro. Os integrantes do laboratório remove o tártaro do esqueleto arqueológico, o dissolve no ácido, e lava o microscópio para identificar os fitólitos ou grãos de amido que o indivíduo comeu ou pois na boca.

   Rodrigo Oliveira apresenta um crânio masculino, exumado em 2014 pela sua equipe.

    Ocorreu uma etapa única para remover para remover esse indivíduo e uma mulher que está enterrada ao lado dele. Rodrigo nos explica que esse foi o único sepultamento duplo da Lapa do Santo, estima-se  que esses indivíduos tinham entre 50 e 60 anos de idade, pois como são idosos, já se alimentaram muitas vezes ao decorrer dos anos, então seus dentes apresentam mais desgastes, cáries e falta de alguns dentes.

Seleção das imagens realizadas pelos autores.

3°VÍDEO

André Strauss nos explica sobre o Walter Neves que confirmou a ideia sobre a diferença entre os crânios de Lagoa Santa e os crânios dos nativos americanos.

    Essa diferença é tão grande, que ela não poderia ter sido gerada no próprio continente. André diz que a América e a América do Sul em particular são um dos continentes que apresentam a maior do versidade morfo-craniana do mundo com uma variabilidade tão grande morfológica, é difícil encontrar um “representante” da morfologia ameríndia.

    De acordo com a explicação de André Strauss, o Brasil precisa de um laboratório, no qual se podem obter os resultados do DNA coletado dos indivíduos arqueológicos. Isto é urgente, pois os pesquisadores necessitam de uma prova que mostra em escala, as diferenças dos fósseis humanos coletados, para que assim possa saber se os indivíduos atuais ou que habitaram a América entre 10 mil anos atrás, são descendentes daqueles que imigraram para o continente americano, principalmente a América do Sul, em torno de 40.000 e 50.000 anos atrás.

 4°VÍDEO

Desde as primeiras escavações de P.Lund no século XIX, e ao longo do tempo as novas escavações de outras novas equipes na região durante o século XX, nunca tinham se percebido que havia uma elaboração das práticas funerárias associadas a esses grupos não antigos. A primeira coisa que esses esqueletos mostraram foi uma sofisticação funerária, os cuidados com o manuseio do corpo que esta em óbito.

Rodrigo agora exibe um sepultamento n°32, exumado em 2012. Todos os ossos desse indivíduo estavam colocados num espaço reduzido, este modo de sepultamento se chama sepultamento secundarizado, pois esse indivíduo não foi encontrado deitado,  ou de cócoras.

   Toda essa manipulação dos ossos para quebrá-los, foi feita com ossos ainda com os seus tecidos moles presentes, ou seja, o corpo ainda estava com seus órgãos e tecidos de pele e músculos.

Rodrigo nos mostra um osso que ficava próximo ao joelho, e o outro ficavam localizados próximo da bacia do fêmur. Eles apresentam marca de cortes causados por lascas em quartzo, e no final, esse osso é quebrado.

Este estilo de sepultamento, mostra algumas marcas escurecidas ao redor da região dos dentes, que indica a utilização do fogo para facilitar na remoção dos dentes do indivíduo. Este processo de retirar ossos de um ser, para encaminhá-los para outro sepultamento é muito frequente na Lapa do Santo.

    Por outro lado, já foi encontrado diversos sepultamentos que não são iguais a esses. Foram descobertos em maior quantidade, sepultamentos primários, e sepultamentos com marcas de aplicação de ocre, basicamente pigmentação vermelha nos ossos.

André Strauss fala que a arqueologia brasileira necessita de mais recursos. De acordo com ele, o Brasil apresenta diversos sepultamentos, principalmente na região de Lagoa Santa, que tem torno de 40 registros arqueológicos de sepultamentos.

5°VÍDEO

Nesta escavação, a equipe de Rodrigo Oliveira, ira fazer as coletas do sedimento de controle fora das covas, e depois as coletas dos sedimentos dos sepultamentos para as amostras de paleoparasitologia e DNA. A equipe já encontrou 3 focos de esqueletos humanos, um  úmero esquerdo, e crânio e pé de uma criança.

André Strauss nos mostra Eliane e Anderson, que estão fazendo a coleta de sedimento para amostra de micro resíduos Rodrigo mostra o sepultamento 34, provavelmente um indivíduo masculino, e o 37 aparentemente feminino. Rodrigo tirando o crânio do sepultamento 37.

Guilherme Ícaro Machado dos Santos

Luan Francisco Savarese, ambos estudantes do 1º ano do Ensino Médio A em 2018.

ESCAVAÇÕES NA LAPA DO SANTO

ESCAVAÇÕES NA LAPA DO SANTO

Rodrigo Oliveira – bioantropólogo do Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva da USP.
  • Ficha técnica.

Nome: Escavações na Lapa do Santo

Número de episódios: 5

Reportagem: Tabita Said, Lucas Sátolo

Edição: Isabella Yashimura, Lucas Sátolo, Tabita Said

*Imagens das escavações gentilmente cedidas pelo Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva – LAAAE / USP Vídeo timelapse: Ricardo Azoury

Produzido por: Canal USP

Ano: 2018

Escritor: Tabita Said

Sinopse

Uma pequena caverna em Lagoa Santa, região metropolitana de Belo Horizonte, abriga ossos dos habitantes mais antigos do Brasil. Na Lapa do Santo, cerca de 50 esqueletos foram encontrados e revelam uma sofisticada prática funerária dos grupos que ocupavam a região entre 11 e 8 mil anos atrás. Continuando os trabalhos de escavação do paleoantropólogo Walter Neves, André Strauss (MAE/USP) e Rodrigo Elias (IB/USP) se dedicam a exumar, remontar e compreender quais eram seus hábitos, cosmologia e a origem de seus ancestrais.

Escavações na Lapa do Santo – YouTube

Vídeo 1

O primeiro vídeo é uma breve introdução sobre a série de vídeos, explicando o projeto e explicando os estudos e processos realizados na Lapa do Santo, onde estão os mais antigos fósseis brasileiros. É explicado como são feitas as análises e o querem extrair de conhecimento dos fósseis. A extração do DNA desses serve para entender melhor quando eles chegaram, quem eram seus ancestrais mais próximos, como era a relação desses grupos com os nativos na época da invasão europeia.

Aula ministrada pelo Rodrigo Oliveira – bioantropólogo do Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva da USP.

Vídeo 2 – Principais causas de doenças dos primeiros brasileiros

            Nos dentes, as doenças eram as mesmas que são comuns hoje em dia, como cáries, tártaro ou doenças de gengiva.

            Os grupos da Lapa do Santo eram caçadores e coletores, mas possuíam mais cárie que de outros grupos de outros continentes. Há mais cárie em mulheres do que homens e há duas hipóteses sobre isso, a mais aceita é que as mulheres tinham atividades mais ligadas a coleta, e por isso teriam uma frequência de consumo muito maior, facilitando o aparecimento de cáries. O individuo que consome mais carne produz mais amônia, distribuída no corpo através da ureia, saindo do corpo de várias formas, mas na saliva aumenta seu PH.

André Strauss bioarqueólogo – Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva da USP.

Vídeo 3 – DNA antigo: quais são as origens do povo de Luzia?

            Há um projeto do estudo do DNA dos fósseis, mas ainda não está pronto.

            A América do Sul é o continente com maior diversidade morfoafricana do mundo. O DNA dos fósseis que foram extraídos, estão sendo analisados e terão resultados a partir de agosto de 2018.

            É citado Peter Hund, conhecido como o pai da paleontologia no Brasil.   Segundo estudos de Walter Neves, existe uma diferença nos crânios de Lagoa Santa e dos nativos americanos.

            É difícil escolher algum tipo de fóssil para representar os antigos que viviam aqui devido a grande diversidade morfoafricana. Os estudos de DNA, colocariam essas diferenças em escala.

André Strauss bioarqueólogo – Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva da USP.

Vídeo 4 – Práticas  funerárias do povo de Lagoa Santa

            Os esqueletos encontrados mostraram que havia toda uma sotisficação na manipulação dos corpos nos sepultamentos.

            Há algumas marcas escuras na área dos dentes que indicam a utilização de fogo para a remoção dos dentes.

            É um processo lento, para dar tempo de analisar e comparar, não destruindo fósseis. Há pouquíssimas pessoas trabalhando nessa área no Brasil com poucos recursos. Os investimentos nesta área são pequenos e os ganhos são imensos.

            Mesmo sendo tropical, o Brasil consegue preservar ossos normalmente.

            Os grupos de caçadores coletores eram populações demograficamente densas, com diversas estratégias para lidar com o ambiente e a cultura.

Vídeo 5 – Registro de escavação arqueológica na Lapa do Santo

            Neste vídeo, é mostrado a Lapa do Santo e o processo de escavação.

            André Strauss grava e explica a escavação de novos registros arqueológicos, mostra seus companheiros retirando os resíduos de ossos de vários sepultamentos.

            Durante o vídeo, um crânio foi retirado quase inteiro, fazendo todos comemorarem.

Ana Carla Souza do Nascimento

Jorge Luis da Silva Pinheiro, ambos estudantes do 1º ano do Ensino Médio B em 2018.

FÓSSEIS

FÓSSEIS

https://jornal.usp.br/cultura/exposicao-na-usp-apresenta-fosseis-raros-do-nordeste-do-brasil/
Reg. 484-17 Exposição Fósseis do Araripe no Museu do Instituto de Geociências – IGC. 2017/12/13 Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A vida surgiu há aproximadamente 3,8 bilhões de anos e, desde então, restos de animais e vegetais ou evidências de suas atividades ficaram preservados nas rochas, e somente restos ou vestígios de organismos com mais de um milhão de anos são considerados fósseis. A palavra “fóssil” deriva do termo latino “fossilis” que significa “ser desenterrado”.

Estes restos ou vestígios preservados de animais, plantas ou outros seres vivos em rochas, como moldes do corpo ou partes deste, rastros e pegadas são denominados fósseis e constituem o estudo da Paleontologia. A paleontologia, o estudo dos fósseis, divide-se em: paleozoologia (estudo dos fósseis animais), paleobotânica (estudo dos fósseis vegetais) e paleocenologia (estudo dos icnofósseis, estruturas resultantes das atividades dos seres vivos, como pegadas, sulcos, perfurações ou escavações).

https://www.portaldosanimais.com.br/curiosidades/que-tipos-de-fosseis-ja-foram-encontrados-no-brasil/

FORMAÇÃO DOS FÓSSEIS

A fossilização resulta da ação combinada de processos físicos, químicos e biológicos. Para que ela ocorra, ou seja, para que a natural decomposição e desaparecimento do ser que morreu seja interrompida e haja preservação são necessárias algumas condições, como rápido soterramento e ausência de ação bacteriana, que é a responsável pela decomposição dos tecidos. Também influenciam na formação dos fósseis o modo de vida do animal e a composição química de seu esqueleto.

JORNAL GAZETA LIFE: PF COMBATE COMÉRCIO DE FÓSSEIS BRASILEIROS

PROCESSOS DE FOSSILIZAÇÃO

A fossilização representa o processo de conservação dos fósseis, que podem ocorrer de diversas maneiras. Abaixo estão os principais processos de fossilização:

  • Marcas: impressões deixadas por atividades dos seres vivos, por exemplo, as pegadas.
  • Restos: Todos os tipos de vestígios rígidos.
  • Moldes: As partes duras dos organismos vão desaparecendo deixando nas rochas as suas marcas (impressões), ou seja, o organismo é destruído, mas o molde persiste.
  • Mineralização: As partes duras dos organismos tais como ossos, conchas desaparecem ficando no lugar deles minerais. São transportados em águas subterrâneas. Os troncos das árvores são bons exemplos deste tipo de fossilização, de forma resumida, ocorre por meio da transformação da matéria orgânica em minérios.
  • Mumificação: Os restos dos organismos preservam-se total ou parcialmente, normalmente em materiais como o âmbar, o gelo, resina fóssil.
https://jornalitaquibacanga.com.br/2020/09/03/fossil-de-sapo-descoberto-no-brasil-e-indicio-de-soterramento-provocado-por-diluvio/

TIPOS DE FÓSSEIS

De acordo com o estudo dos fósseis, há dois tipos:

  • Somatofóssil: são os fósseis de organismos do passado (restos somáticos), por exemplo, ossos, carapaças, folhas, troncos, dentre outros.
  • Icnofóssil: são fósseis que identificam a atividade animal, seja por meio de pegadas, rastros, túneis, excrementos, marcas de dentadas, dentre outros.
http://msocorrom.blogspot.com/2010/12/vale-dos-dinossauros-em-sousa-pb.html

A IMPORTÂNCIA DOS FÓSSEIS

É através dos estudos sobre os fósseis que podemos conhecer melhor a história do planeta em tempos remotos, identificada pelos vestígios que marcaram determinada época.

Um exemplo importante é os fósseis encontrados dos dinossauros, visto que se não fossem estudados nunca saberíamos que esses répteis gigantescos viveram no planeta muito antes da raça humana habitá-lo.

Outro exemplo são os fósseis de mamutes, que foram extintos há mais de 10 mil nos e ainda hoje são estudados por pesquisadores.

Assim, os fósseis são as provas mais concretas da existência de vida no planeta, sendo uma importante ferramenta de estudos entre os biólogos, arqueólogos, paleontólogos e geólogos. Eles revelam as transformações que ocorreram nos seres vivos e no próprio planeta durante anos.

Por esse e outros motivos, a conservação dos fósseis revela grande importância histórica para o estudo da evolução da vida.

A história dos seres vivos na Terra pode ser reconstruída com base em evidências chamadas de fósseis. Os fósseis são pistas muito importantes, sendo uma prova consistente de que nosso planeta já abrigou espécies diferentes das que existem hoje. Esses registros são uma forte evidência da evolução porque podem nos fornecer indícios de parentesco entre esses e os seres viventes atuais ao observarmos, em muitos casos, uma modificação contínua das espécies. Assim, os fósseis têm grande importância para o estudo dos seres vivos, auxiliando a compreender as transformações neles ocorridas ao longo do tempo e a entender a história da vida na Terra.

https://revistapesquisa.fapesp.br/por-que-o-crato-preserva-fosseis/

Gustavo Santos Aguiar da Silva, estudante do 1º Ensino Médio A em 2019.

REFERÊNCIAS

BRANCO, P. M. O que são e como se formam os fósseis?. CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Disponível em: <http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas—Rede-Ametista/Canal-Escola/O-que-sao-e-como-se-formam-os-fosseis%3F-1048.html>. Acesso em 25 de junho de 2019.

DIANA, J. O que são fósseis?. Toda Matéria. Disponível em:< https://www.todamateria.com.br/o-que-sao-fosseis/>. Acesso em 25 de junho de 2019.

FILIPE, C. H. O. Fósseis: Formação, Classificação e Importância. Disponível em: <https://www.webartigos.com/artigos/fosseis-formacao-classificacao-e-importancia-paleoecologica/9318> Acesso em 25 de junho de 2019.

SERAFIM, A. P. C. Os fósseis – Evidências da evolução. Portal da Educação. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/biologia/os-fosseis—evidencias-da-evolucao/72482>. Acesso em 25 de junho de 2019.

SÓ BIOLOGIA. Fósseis em Só Biologia. Disponível em: <https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/fosseis.php&gt;. Acesso em 25 de junho de 2019.

PESQUISA SOBRE OS FÓSSEIS

PESQUISA SOBRE OS FÓSSEIS

http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2015/05/eua-devolve-fosseis-de-peixes-de-ate-115-milhoes-de-anos-pf-apura-venda.html

Preservados por anos através de processos naturais, os fósseis são registros que, de alguma forma, foram conservados dos animais e plantas que viveram há milhares, ou até, milhões de anos. Eles estão presentes em rochas, areia, gelo ou até em outros fósseis.

            Os fósseis conservados não são apenas ossos, são chamados de restos quando partes de um ser vivo são conservadas  e de vestígios os indícios da existência de um ser antes vivo, como pegadas, impressões de pele ou fezes, chamadas de cropólitos.

https://www.blogs.unicamp.br/colecionadores/2012/11/03/coprolito/ Karen Chin, especialista no estudo de coprólitos, e diversos tipos e tamanhos de fezes fósseis.

Por normalmente ser bem frágil, a escavação de um fóssil requer paciência, cuidado e muita pesquisa do território. Após ser definido um lugar para escavação, deve-se ir tirando fotos para registrar onde o fóssil foi encontrado e sua posição original. Se o mesmo estiver encravado em uma rocha, será quebrada a parte mais externa da rocha com picaretas e pás. Para retirar as porções de rocha que ficaram mais próximas ao fóssil utilizam-se ferramentas mais delicadas, como: martelinhos, pequenas brocas, pinceis e espátulas. Quando o fóssil for totalmente retirado, será levado para um laboratório onde será estudado.

            O estudo dos fósseis é importante para conhecermos mais sobre a história do planeta, seres que aqui já habitaram e vegetação. Os mesmos são provas da evolução das espécies, pois fornecem indícios de parentesco com outros fósseis que viveram após o período de um grupo fóssil estudado ou com seres vivos atuais. Mostrando a adaptação de um ser vivo ao ambiente, tendo o processo de seleção natural, onde numa espécie são transmitidas entre as gerações as características vantajosas para que a mesma sobreviva naquele ambiente.

http://larissaaoliveira.blogspot.com/2012/09/fossil-no-brasil_934.html/ Encontramos briófitas (musgos de 20 milímetros) e licófitas (pequenas plantas de folhas verdes) que cobriam porções de terra do interior paulista durante o período Carbonífero (há cerca de 310 milhões de anos), época em que toda a região encontrava-se coberta por gelo. Lembram a tundra vista atualmente no norte do Canadá e na Sibéria”, informa a professora da Unicamp.

Rubia Maciel Cacozze, estudante do 1º Ensino Médio C em 2019.

O NEGATIVO REFLEXO HISTÓRICO INDÍGENA AO PRESENTE

REDAÇÃO VISITA USP- MAE

Capa do livreto “Resistência Já! Fortalecimento e união das culturas indígenas. Kaingang, Guarani Nhandewa e Terena”/Kaingang, Guarani Nhandewa e Terena: resistência já! fortalecimento e união das culturas indígenas | Portal de Livros Abertos da USP

Em 05/07/2019, foi realizada uma visita à Universidade de São Paulo (USP) ao 1ºano A da ETEC de Franco da Rocha. Com intuito de inserir mais conhecimento e prover o respeito para com os povos indígenas, houve uma exposição sobre os mesmos no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. Sendo expostos diversos objetos de enorme riqueza cultural, retratando o cotidiano das tribos indígenas.

Indígenas contam sua própria história em exposição na USP (catracalivre.com.br)

Conforme visto os objetos em questão, foi possível adentrar na história das tribos, e quando tal é posta em debate, é imediato o vinculamento à colonização portuguesa e todo o sofrimento pela ação causado. Toda a dor ainda sentida, de forma emocional, física e social, deve-se à atos passados, que refletem até hoje, infelizmente, negativamente aos indígenas.

Um exemplo desses atos foi durante o Regime Militar, entre as décadas de 70 e 80 (do século XX), quando a Amazônia passou a ser povoada, por conta do lema “terra sem homens para homens sem terra”. Entretanto, este povoamento foi realizado sem nenhum controle ambiental. Hidrelétricas, rodovias e agropecuária passaram a ser desenvolvidas, desmatando as florestas e matando indígenas.

http://www.esquerdadiario.com.br/As-terras-indigenas-estao-sendo-invadidas-pelo-fogo-que-consome-a-floresta-amazonica-diz-estudante

Inclusive, problemas atuais que afetam à todos os brasileiros, como os de fundiários no Brasil, igualmente, não podem ser solucionados sem que se resolvam os problemas relativos às terras indígenas. Deste modo, a expansão da fronteira agrícola e a construção de diversas rodovias, causaram o deslocamento de inúmeros povos indígenas das terras que tradicionalmente ocupavam, ou mesmo a invasão das terras indígenas por colonos originários das mais diferentes regiões do país. Não eram somente os indígenas da Amazônia que sentiam os problemas gerados pela degradação do meio ambiente. Eles eram sentidos em todo o território nacional, devido à exploração das matas nativas, da construção de hidrelétricas e da construção de rodovias.

Visto, conclui-se que mesmo após centenas de anos, nossos comandantes não foram capazes de fechar feridas ainda abertas há mais de 500 anos. Quando se fala em problemática atual das comunidades indígenas, não se pode dizer que nasceram na atualidade, mas sim que são resquícios de problemas que nasceram ainda na colonização, nos primeiros séculos do “descobrimento” do Brasil. E nos dias atuais há problemas como a miséria, o alcoolismo, o suicídio, a violência interpessoal, que afetam consideravelmente essa população.

Arthur Marinho da Costa, estudante do 1º Ensino Médio A em 2019.

VISITA AO MUSEU DE GEOCIÊNCIAS DA USP – 2019

Visita ao Museu de Geociências da USP

http://imagens.usp.br/?p=414

A visita técnica a USP ocorrida no dia 18 de abril de 2019, possibilitou para nós alunos a conhecer o Museu de Geociências, e presenciar uma palestra, praticamente uma miniaula, sobre o assunto.

Tivemos a oportunidade de tirar algumas dúvidas durante a aula. Algumas delas foram sobre fósseis, assim podemos aprender que um fóssil é basicamente uma referência de vida que podemos encontrar hoje, uma prova que um organismo passou por aqui. Descobrimos também como fósseis se tornam uma evidência da teoria da evolução, nós podemos usar as rochas sedimentares para datar eventos, as camadas mais de cima são as mais novas que as de baixo, sendo assim, como os fósseis já são mesmo encontrados nesses tipos de rochas, é possível traçar uma evolução baseada em cada camada, muda o tempo, muda a camada muda o fóssil.

Reg. 484-17 Exposição Fósseis do Araripe no Museu do Instituto de Geociências – IGC. 2017/12/13 Foto: Marcos Santos/USP Imagens/ Museu de Geociências apresenta fóssil de Pterossauro completo, único do mundo – Jornal da USP

No prédio do Instituto de Geociências pudemos ver algumas amostras de fósseis, tinha até a representação de um Alossauro, e foi nos explicado um pouco como ocorre a escavação, se sabe que há um fóssil numa rocha por conta de uma espécie de marca, descoberto isso, existe um processo muito delicado para a retirada, é utilizado até pinceis, tudo para exercer quase nada de brutalidade.

A visita foi extremamente interessante, além de um lugar muito divertido de se ir, voltamos com uma série de conhecimentos adquiridos.  

http://meta-ecossistemas.blogspot.com/2016/01/mas-afinal-o-que-e-um-dinossauro.html

Beatriz Apª. F. Leite estudante do 1º Ensino Médio C em 2019.

OS TIPOS DE SOCIALIZAÇÃO EM CAPITÃES DE AREIA

OS TIPOS DE SOCIALIZAÇÃO EM CAPITÃES DE AREIA

Capa do livro Capitães da Areia editado pela Record de 1991, 71ª tiragem.

O livro Capitães de Areia de Jorge Amado conta a estória de um grupo com cerca de 100 crianças e adolescentes, com uma idade por volta de 9 a 16 anos. Grupo esse que vinha perturbando a paz de uma cidade com seus assaltos frequentes.

Capitães da Areia – Filme Completo – YouTubehttps://www.youtube.com/watch?v=HT4_SXk4GnI

No livro não há apenas um ou alguns personagens centrais na estória, mas sim diversos deles, com suas respectivas personalidades e experiências de vida que compõem o imenso grupo e, que através de suas socializações a estória se desenvolve. A maioria  dos integrantes do grupo que foram citados na obra, tiveram um passado sombrio e trágico, gerando – lhes ódio, desprezo e sem valores descritos corretos, Os tipos de socializações mais frequentes dos personagens, no momento em que a estória ocorre, é a secundária, aquela iniciada ao final da infância. Como eles não são mais crianças, já possuem uma interação forte com seu “grupo de amigos” e com a sociedade. Aliás, alguns nem tiveram uma infância digna, podemos dizer que certos indivíduos não tiveram uma socialização primária por não terem um contato familiar, que por ventura, foram ausentes ou mortas em algum acontecimento. Podemos ver exemplos disso no passado de um dos personagens como Pedro – Bala, por exemplo, que teve seu pai assassinado por policiais em uma greve que liderava.

Capitaes de Areia: Pedro Bala (areiacapitaes.blogspot.com)

Por causa de certos integrantes do grupo como o “Professor” ou o próprio Pedro não terem um desenvolvimento mais profundo de suas vidas passadas, não conseguimos afirmar com tanta certeza se tiveram uma socialização primária adequada aos olhos da sociedade. Socialização essa que tem um papel muito importante por introduzir valores corretos à criança.     

Alguns personagens não fazem parte do grupo, mas possui uma alta relação com ele, como no caso de “QUERIDO-DE-DEUS”, um grande capoeirista na Bahia e o padre José Pedro. Ambos já possuem uma socialização secundária mais “concreta”, por já estarem incluídos em grupos ou instituições sociais.          

Bibliografia

Título da obra: Capitães da Areia

Autor: AMADO, Jorge

Edição em PDF por LE Livros

Fonte de: http://LeLIvros.com

Matheus da Silva, estudante do 1º Ensino Médio C em 2019.

CAPITÃES DA AREIA – JORGE AMADO

CAPITÃES DA AREIA – JORGE AMADO

Edição: Dom Quixote, novembro de 2012

Capitães da Areia é um romance escrito por Jorge Amado em 1947, período em que Getúlio Vargas era Presidente. Talvez essa foi a maior inspiração para o livro, pois Jorge Amado fazia parte do Partido Comunista Brasileiro, e através dessa história dos ladrões da Bahia, ele mostrou para as pessoas como as autoridades viram as costas para os mais pobres, causando revolta.

O livro inicia com notícias sobre o roubo que os Capitães da Areia fizeram em uma casa, e que seriam perseguidos e levados para um reformatório, logo após existe uma carta que uma mulher escreveu alegando um suposto porquê pelo qual os meninos fugiam de lá e ficavam ainda piores.

“Meu filho Alonso teve lá seis meses e se eu não arranjasse tirar ele daquele inferno em vida, não sei se o desgraçado viveria mais seis meses. O menos que acontece pros filhos da gente é apanhar duas e três vezes por dia. O diretor de lá vive caindo de bêbedo e gosta de ver o chicote cantar nas costas dos filhos dos pobres”. (AMADO, Jorge,1947, pág.11).

Para sustentar sua acusação, ela pede para os repórteres do Jornal perguntarem para o padre o que acontece nos reformatórios. Essa parte do livro demonstra como existe mentiras e maldades em lugares que deveriam acolher as pessoas e mostrar o melhor caminho.

Os Capitães da Areia são crianças nessa transição para adolescência, que se sustentam através dos furtos que realizam em Salvador. O livro não especifica quantos integrantes fazem parte desse grupo, o autor deixa a entender que são mais de cem, mas coloca em foco onze deles. Apesar de sua dureza ao roubar e matar, é perceptível a vulnerabilidade das crianças quando se trata de família e amor, todas elas têm histórias muito tristes e de certa forma sombrias, o que pode ter resultado nessa revolta. Eles são tão evoluídos, que ao ler parece que eles são homens, pois já têm uma vida sexual, bebem, fumam e falam coisas que não combinam com a idade deles. Relacionando esses fatos com o processo de socialização, nota-se que essa falta da socialização primaria bem estruturada e ensinada, causa danos na vida das pessoas, e ás vezes nem precisa ser família de sangue, e sim pessoas que querem o seu bem, que se importe com você, que ao te corrigir coloca o amor em primeiro plano.

No início do livro, eu tive uma impressão bem errada dos capitães da areia, como se eles roubassem por maldade mesmo, mas quando eu fui entendendo todo o contexto, percebi o porquê, dos meninos serem assim, não que justifique tudo, mas deve ser levado em consideração.

Capitães da Areia – Filme Completo – YouTubehttps://www.youtube.com/watch?v=HT4_SXk4GnI

http://livrocapitaesdaareia.blogspot.com/2010/12/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html

Cada um dos personagens, individualmente, tem maneiras diferentes de ver a vida, o que interfere muito no processo de socialização de cada um deles. O capítulo que mais deixou evidente essa carência dos meninos foi o “As luzes do carrossel”, em que percebemos uma certa raiva dos capitães pelos filhos dos burgueses que são levados a esse carrossel, eles estão ali trabalhando, mas a criança de dentro deles grita mais alto. Um trecho desse capítulo que me chamou a atenção foi:

“O Sem Pernas já tinha mesmo certo dia em que penetrou num Parque de Diversões armado no Passeio Público chegado a comprar entrada para um, mas o guarda o expulsou do recinto porque ele estava vestido de farrapos. Depois o bilheteiro não quis lhe devolver o bilhete da entrada, o que fez com que o Sem-Pernas metesse as mãos na gaveta da bilheteria, que estava aberta, abafasse o troco, e tivesse que desaparecer do Passeio Público de uma maneira muito rápida, enquanto em todo o Parque se ouviam os gritos de: Ladrão!, ladrão! […] Mas o Sem-Pernas preferiria, sem dúvida, ter rodado no carrossel, montado naquele fantástico cavalo de cabeça de dragão, que era sem dúvida a coisa mais estranha e tentadora na maravilha que era o carrossel para os seus olhos” . (AMADO, Jorge,1947, pág. 57).

Nele nós percebemos a revolta de Sem- Pernas por conta do preconceito que ele sofreu, ele só queria ter a experiência de uma criança normal, mas pelas roupas que estava usando, não teve a oportunidade de andar naquele carrossel tão especial para ele. E desta maneira percebemos que ninguém é do jeito que é porque quer ser assim, sempre existe uma pessoa machucada em quem machuca. Esse foi um dos meus capítulos preferidos do livro, e também existe outras partes que exemplificam todo o processo de socialização desses personagens.

https://www.mercidisco.com.br/dvd-capitaes-da-areia

Um exemplo é a relação que Pirulito tem com a religião católica, que conheceu através do padre José Pedro, esse padre ajudava e aconselhava muito os capitães, mas nem todos seguiram o catolicismo. A devoção de Pirulito é bem perceptível pois ele se sente muito mal em roubar depois de sua conversão, pois ele tem a ideia de um Deus bravo, que condena as pessoas.

 “No dia que o padre José Pedro começou a falar de Deus, do céu, de Cristo, da bondade e da piedade, Pirulito começou a mudar. Deus o chamava e ele sentia sua voz poderosa no trapiche. Via Deus nos seus sonhos e ouvia o chamado de Deus de que falava o padre José Pedro. E se voltou de todo para Deus, ouvia a voz de Deus, rezava ante os quadros que o padre lhe dera”. (AMADO, Jorge,1947, pag. 107).

http://areiacapitaes.blogspot.com/2011/02/pedro-bala.html

Outro personagem muito marcante é Pedro Bala, ele é o líder dos capitães, e tem uma história muito triste, seu pai foi assassinado durante uma greve. Sua sexualidade se mostra de maneira muito ruim no livro, ele estupra uma menina, e é horrível ler todo o desespero dela, mas depois quando ela sai chorando, toda aquela vontade de Bala passa, ele sente um vazio, e o arrependimento toma conta dele.

O Professor também é um personagem que supre seus prazeres e carências através da leitura dos livros, ele é o único alfabetizado e rouba os livros para ler aos capitães.

“João José era o único que lia correntemente entre eles e, no entanto, só estive na escola ano e meio. Mas o treino diário da leitura despertara completamente sua imaginação e talvez fosse ele o único que tivesse uma certa consciência do heróico das suas vidas. Aquele saber, aquela vocação para contar histórias, fizera-o respeitado entre os Capitães Areia, se bem fosse franzino, magro e triste, o cabelo moreno caindo sobre os olhos apertados de míope”. (AMADO, Jorge,1947, pág. 22).

De maneira geral todos tinham suas carências e dependências e tentavam preencher isso de alguma maneira. Tem um trecho que exemplifica muito bem isso:

“Todos procuravam um carinho, qualquer coisa fora daquela vida: o Professor naqueles livros que lia a noite toda, o Gato na cama de uma mulher da vida que lhe dava dinheiro, Pirulito na oração que o transfigurava, Barandão e Almiro no amor na areia do cais”. (AMADO, Jorge,1947, pág. 38).

Além do capítulo “As luzes do carrossel”, teve outro que me emocionou chamado “Família”, em que Sem-Pernas, está na casa de dona Ester para rouba-la, mas a mulher o recebe tão bem que ele perde essa vontade, e passa a ver a mulher como mãe. Teve até um episódio em que Dona Ester, dá Boa Noite para ele antes de dormir, e a reação e sensação dele é emocionante.

“Era como se o mundo houvesse parado naquele momento do beijo e tudo houvesse mudado. Só havia no universo inteiro a sensação suave daquele beijo maternal na face do Sem-Pernas. Depois foi o horror dos sonhos da cadeia, o homem de colete que ria brutalmente, os soldados que surravam o Sem-Pernas, que corria com a perna aleijada em voltada saleta”. (AMADO, Jorge,1947, pág. 122).

https://citacoesliterarias.wordpress.com/tag/capitaes-da-areia/

Aqui é notável a carência de Sem-Pernas, a falta que ele sente de uma família, de alguém que o ame, mas logo depois, os traumas do passado vêm à tona, e oculta toda paz que ele sentiu.

De maneira geral, Jorge Amado nos faz ter um pensamento diferente dos ladrões, mendigos e etc. Esse livro é uma denúncia ao governo, falando sobre como os pobres são meio que ‘forçados” a seguir o crime por falta de oportunidades, principalmente na parte sobre o reformatório. Na época o livro foi queimado em praça pública, pois foi visto como uma opressão ao governo.

Sabrina da Cruz Lima, estudante do 1º Ensino Médio A, da Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar em 2019.

PARTICIPAÇÃO NO PROJETO: “PREFEITO, VICE-PREFEITO E VEREADOR JOVEM” em FRANCO DA ROCHA – 2019

PARTICIPAÇÃO NO PROJETO: “PREFEITO, VICE-PREFEITO E VEREADOR JOVEM” em FRANCO DA ROCHA – 2019

Fui selecionada por meio de uma votação que ocorreu dentre os representantes de classe da ETEC Emílio Hernandez Aguilar, sendo levada a prefeitura de Franco da Rocha acompanhada pelo orientador educacional José Carlos da Costa. Segue um detalhamento das reuniões que tive do projeto “Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador-Jovem” idealizado pelo vereador Eric Valini e o Conselho Municipal da Juventude da cidade.

Todos os participantes foram muito bem recebidos, em especial pela Fran, Shaiene e a Thayane membros da Conselho Municipal da Juventude e pelo Zeca, representante do núcleo de participação cidadã, na nossa primeira reunião do projeto que ocorreu dia 4 de maio de 2019 onde o procurador Dr. Adilson Argentoni nos deu formação acerca do papel legislativo e jurídico dos cargos em questão. Fui nomeada Prefeita e o participante Kleber como presidente da câmara municipal.

http://francodarocha.sp.gov.br/franco/artigo/noticia/8723. Fotografia de Danielle Magalhães.

Dia 13 de maio de 2019 pela manhã, tivemos a oportunidade de participar do café com o prefeito Kiko, com o intuito de nos aproximarmos mais da rotina e de como é ser prefeito em Franco da Rocha. Pela tarde, assistimos a 45ª sessão plenária do município e ao fim dela, o vereador Eric conversou conosco, se disponibilizando para outra reunião, com o intuito de nos explicar a pauta da sessão passada.

Novos integrantes do Parlamento Jovem se reúnem com prefeito – Prefeitura Municipal de Franco da Rocha/ Fotografia de Danielle Magalhães.

Dia 10 de junho de 2019 nos reunimos novamente na câmara, e recebemos informações acerca do funcionamento das sessões e o vereador falou um pouco sobre sua jornada política. Ao fim do encontro conhecemos as dependências da câmara municipal de Franco da Rocha guiados pelo mesmo.

Dia 21 de agosto de 2019, realizamos nossa primeira sessão plenária votando projetos de autoria própria com a possibilidade de aproveitamento dos mesmo pelos vereadores da casa.

Pela experiência que já tive com o projeto, pude ter a percepção de que ele de fato mudará muito a vida de cada jovem que dele participará. A inclusão do jovem na política como meio de disseminar a consciência cidadã é a maior obra a longo prazo que o município poderia proporcionar a juventude.

HORTENCIA SOARES DO CARMO, estudante do 3º ano do Ensino Médio B em 2019.