HISTÓRIA da ÁFRICA

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Nesta publicação estamos disponibilizando as opiniões dos (as) estudantes do 2º ano A do Ensino Médio, da Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar sobre o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=CAUom6E7Wp8

A reflexão deles sobre esse vídeo foi uma atividade proposta no início de 2021 enquanto tive dificuldades de acessar a plataforma de ensino remoto. Profª Mara Cristina Gonçalves da Silva.

Mapa político do continente africano na atualidade.

ÁFRICA: O INÍCIO DE TUDO

A África é o berço da humanidade, qualquer estudo realizado até hoje confirma isso, por toda a sua carga étnica e cultural e por meio de sua história milenar, ela é capaz de contar a história de toda a humanidade, isso é inegável, porém a desvalorização de toda essa carga é gigante, transformando o que devia ser a base de toda a história do mundo em uma simples parte isolada.

Entender o protagonismo africano em diversos momentos da história é essencial. Desde muito cedo a relação do continente africano com todos as outras partes do mundo já existia, por isso a história de todos os outros continentes podem ser explicadas a partir da História da África, assim como a história da humanidade, considerando que o continente africano foi o primeiro a ser habitado por humanos, e a partir desses grupos, dessas pequenas sociedades, houve uma expansão não só dentro do continente, como também em todo o seu entorno.

Não é incomum quando se fala de África, associar a ideia de que o continente só teve uma real importância quando foi colonizado por povos europeus, mas estudando de uma maneira ampla, é possível combater essa ideia, percebendo a particularidade e importância da África muito antes da chegada desses povos.

A partir do período da pré-história é possível compreender o inicio de tudo, os primeiros grupos imigrantes partiram da África e saíram a povoar o planeta, posteriormente no período da antiguidade deve-se destacar todo o papel do continente africano, trazendo o Egito como exemplo, que se relacionava de forma direta com o continente africano, trazendo também Cartago, região de extrema importância na história, enfatizando o fato de que para ser possível compreender a formação e a importância de tudo isso, é necessário conhecer a história da África.

Avançando na Idade Média, tem-se a expansão das levas mulçumanas, partidas da Ásia, ocupando o Sul da Europa, os Mouros norte-africanos ocupam o sul da Europa e o Norte da África, no período conhecido como domínio mulçumano, durante a Idade Média Europeia. Na África Ocidental desenvolveram-se grandes sociedades, com lucro de poder centralizado, e assim o comércio a longa distância que movimentou todo esse mundo em torno do mar mediterrâneo e nas grandes redes de comércio se formou, mostrando mais uma vez a África extremamente presente na história.

Na Idade Moderna podemos trazer a História da África conectada com a História Atlântica, com o período de relação entre África e América, o destaque é na época de exploração dos povos africanos. Se antes pensar em África era pensar em ouro, na idade moderna vira mão de obra, mostrando o mais longo processo de imigração forçada, com essas pessoas que moveram as Américas e trouxeram consigo sua cultura e força, o que contribuiu para uma mudança civilizatória nas Américas.

Começam então as lutas por liberdade, as lutas contra colonizações e outras diversas articulações, com uma série de temas abertos a cerca da História da África.

Com isso, diante do resumo de fatos que mostram um pouco da importância da África, o que pode-se tirar a partir disso é que alguns pontos nos estudos de história devem ser repensados, o continente africano não tem sua história valorizada como deveria, e não recebe a importância que deveria, sendo que a partir da História da África que fica possível entender de forma muito melhor a História do mundo, nós somos África, nossas história estão inegavelmente conectadas a História da África, e a carga gigante desse continente precisa ser valorizada.

Ana Luiza Bergantin – 2º Ano A – Ensino Médio Regular

África berço da humanidade e do conhecimento.

REDAÇÃO – HISTÓRIA DA ÁFRICA

A África tem uma história longa e inteligível, de que atualmente poderia ser uma das maiores potências mundiais, porém, hoje é considerado um continente subdesenvolvido. A África pode ser divida em parte norte e leste, por conta de suas relações com a Europa e a Ásia.

Porém, a história desse continente começa bem antes. Durante o período da pré-história.

A África é considerada o berço da humanidade. Do continente africano saíram os primeiros grupos de humanos que povoaram o planeta. No continente não só surgiram os primeiros humanos, mas como também as primeiras instituições gregorianas da sociedade humana, ou seja, as primeiras famílias.

Se seguirmos mais a diante, no período da antiguidade, o continente africano teve todo um papel a ser ressaltado.

O Egito faz parte do continente africano e se relacionava com o continente de uma forma muito estreita e muito profunda. Os reinos da Núbia que se localizavam no sul do Egito tiveram uma grande importância na formação do império que maravilhou os povos do continente europeu.

Durante esse período na história, o norte do continente africano foi chamado de “Província Africana” pelos romanos, essa região era onde ficava Cartago que moveu muitas guerras contra Roma, o grande adversário do Império romano.

Bem mais adiante ainda iria ter levas de expansão muçulmana, que saíram da Ásia e caminharam pelo norte da África, cruzando o estreito de Gibraltar e ocupou o sul da Europa.

A partir do século VII até o século XV os norte africanos ocuparam o sul da Europa no período conhecido como “Domínio Muçulmano”.

A história africana durante a idade média européia esteve em estreita relação com o chamado mundo conhecido. Na África Ocidental, desenvolveram-se sociedades com núcleo de poder centralizado, fundaram-se reinos que comerciavam pelas rotas transaarianas com o norte do continente, o sul da Europa e o Oriente Médio nas grandes rotas de longa distância.

Na época moderna, a história da África se encontra com a história atlântica. A história atlântica fala sobre as Américas, sobre o “Novo Mundo” a história da humanidade escrita pelos europeus.

O tráfico de africanos escravizados é sem dúvida um grande motor dessa época histórica.

Durante a época medieval européia falar de ouro, era falar da África, na época moderna, as mãos, os braços, a tecnologia do novo mundo, nascia no continente africano. E são esses africanos que trouxeram para as Américas uma série de aportes civilizatórios, conhecimentos, tecnologias, formas de ver o mundo, religiosidade, afetividades, etc.

Pensar na história das Américas conectada a essa história atlântica e, portanto a história da África, por esse que foi o mais longo processo de imigração da história da humanidade.

Segundo os dados estatísticos, cerca de 12 milhões de africanos foram trazidos para a America em três séculos em meio de tráfico negreiro.

Essas pessoas que chegaram às Américas por meio de navios negreiros, eles trouxeram consigo toda sua cultura e sua força física e sua força de espírito e tudo isso causou uma verdadeira revolução civilizatória no continente americano.

As lutas pela liberdade começaram no século XVIII. O Caribe que se levantava contra o colonialismo e a escravidão. Essas lutas atravessaram o continente americano de norte a sul desde o século XVII, onde temos Palmares no Brasil desde o início do século XVIII com a formação de diversas áreas quilombolas.

No século XIX, amadurecido nessas lutas que o século XVIII já assistira vai colocar-se o mundo atlântico ocidental como cenário de lutas pela liberdade, nesse cenário, africanos de um lado e de outro do mar tiveram papel relevante.

No século XX, o colonialismo e as lutas de libertação e a luta anti colonial, junto a elas, a negociação e as novas articulações de capitalismo internacional com, mas forças do interior do continente africano, as novas articulações dos poderes políticos locais com a criação dos estados nacionais, a definição das fronteiras dos países africanos.

Além das sociedades nômades, que se remetem muito diretamente na história do continente. Um grande tema é sobre as relações entre as comunidades que formaram núcleos de poder centralizado e comunidades nômades.

Nós somos acostumados com o modelo de estado europeu, ou seja, as grandes formações centralizadas são indicativas de civilização e que as aldeias disperças, as comunidades nômades, as unidades mais fragmentadas é sinônimo de atraso e de falta de desenvolvimento.

No continente africano, grupos, sociedades, comunidades durante séculos viveram distantes do poder centralizado em grandes unidades territoriais. Isso só quer dizer que, essas comunidades desenvolveram essa forma de vida como a sua forma de vida.

Essa idéia deve fazer parte também das discussões uma visão transversal de longa duração da história. Pois, porque pensar que somente os grandes grupos representam um sinal de civilização.

Uma das escolhas feitas pelo continente africano foi a formação dos estados nacionais, da relação das elites políticas africanas e o poder.

Pode-se pensar contemporaneamente na relação entre globalização e a sobrevivência de algumas comunidades no continente africano. Quando pensamos na sobrevivência dessa sociedade não pensamos apenas em grupos pobres que não tem como viver no mundo moderno.

Precisamos pensar em quantos africanos estão entre nós, por exemplo, aqui no Brasil, será que todos nós acreditamos que a pobreza está apenas do outro lado do mar.

As sociedades africanas, muitas delas, são sociedades da palavra e a palavra é a memória viva na África. Resgatar a importância da oralidade para essa sociedade na história dessa sociedade e resgatar a importância da oralidade na nossa sociedade é entender melhor a nossa relação com o nosso mundo e a cultura popular.

Anna Luiza de Sousa Silva – 2º Ano A – Ensino Médio Regular

Mapa do continente africano e suas fronteiras étnicas do continente africano.

HISTÓRIA DA ÁFRICA

A África é um grande continente do nosso planeta. Lar de diversas paisagens, biomas, fenômenos naturais e culturas, teve essencial importância na origem do homem e no seu desenvolvimento, já que o ser humano surgiu lá.

Já na pré-história, o homo sapiens surgiu na região da África migrou para todos os outros continentes, exceto a África. O crânio mais antigo já encontrado, foi achado no continente africano.

Na antiguidade, havia o Egito antigo, um grande império em solo africano, com raízes no Saara e no Rio Nilo, símbolos deste grandioso pedaço de terra. A tecnologia e cultura dos egípcios eram incríveis, tais quais são estudadas até os dias de hoje, sendo sempre digno de admiração.

Cartago era uma cidade do noroeste da África, hoje na região da Tunísia. Era um grande centro comercial, mas foram atacados pelo Império Romano.

O surgimento do islamismo afetou diretamente a África, e muitas pessoas se converteram ao Islã no Norte da África, havendo um choque entre culturas locais e árabes, o que criou culturas ainda mais ricas e diversas. Além disso, haviam diversas tribos, cada uma com suas particularidades e culturas, em torno de toda a África, além dos reinos que haviam ali, como o de Gana, Kanem-Bornu, Iorubá e Benin.

A Idade Moderna foi marcada pelas grandes navegações europeias, onde grande parte da costa da africana foi navegada pelos navegadores. É uma época marcada pelo grande crescimento do comércio de escravos vindos da África, sendo estes excluídos de suas terras, famílias e toda a cultura que tinham. Muitos destes escravos embarcavam nos chamados “navios negreiros”, embarcações voltadas para o transportes de escravos, geralmente para o Novo Mundo. A vinda dos africanos trouxe muitas culturas novas e tem papel essencial na formação de vários países latinos, como o Brasil.

No contexto do Imperialismo europeu, a Conferência de Berlim fez uma divisão de territórios na Europa e Ásia para as nações que participaram do congresso. Grande parte da divisão territorial africana que conhecemos hoje veio desta divisão, que não levou em conta as diversificações étnico-culturais que havia ali. Isso promoveu uma série de conflitos e guerras, que perduram até hoje. No mundo contemporâneo, a África é um país economicamente em desenvolvimento, mas rico em riquezas naturais e em aspectos sociais.

O continente africano tem uma história linda. Dentre diversas riquezas naturais, belas paisagens e muita diversificação social, é um lugar incrível de se conhecer. Em meio a vários conflitos e explorações, por influência externa, a África nunca perde seu charme, é um lugar incrível, e nosso modo de vida, costumes, etnologia é diretamente ligado aos africanos.

Gabriel Aparecido das Chagas Silva – 2º Ano A – Ensino Médio Regular

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ÁFRICA

Comumente conhecida como o berço da civilização, a África é extremamente repleta de história e cultura. Todavia, esse passado rico infelizmente foi escondido pelo eurocentrismo.

Sendo considerado o terceiro maior continente do mundo, com extensão aproximadamente de trinta milhões de quilômetros quadrados, o território Africano já abrigou grandes civilizações em sua história. Uma delas é o Egito Antigo, que desenvolveu diversas tecnologias que ainda são apreciadas e até utilizadas, por exemplo, o papiro (hoje papel), antibióticos, cirurgias, entre outras. Como também, realizou grandes feitos da engenharia.

Não obstante, Cartago, civilização fundada pelos fenícios, perdurou por anos em constante disputa contra o vangloriado império romano. Seu legado não é tão imenso como o de outras civilizações, mas em sua época, possuía grandes acervos navais e culturais.

Se olharmos para o hoje, e o país em que moramos, notamos que ao nosso redor estamos repletos dessa cultura que não pode ser resumida em um, ou dois povos. A comida, as danças, o modo de falar, brincadeiras, religiões, e intermináveis fatos estãoimersos na cultura brasileira. Em algumas regiões, como o Nordeste, é ainda mais perceptível.

Em meio a toda essa beleza e particularidade, a África sofreu na mão do imperialismo europeu. Em meados do século XIX, Portugal iniciou um processo de dominação territorial, passando a utilizar os povos locais como escravos, algo que já ocorria anteriormente, porém os africanos eram levados para outros continentes, como é o caso da América.

Não só Portugal participou dessas ações, mas também grande parte da Europa, o que atrapalhou o “desenvolvimento” dos povos africanos, uma vez que suas terras estavam sempre sendo dominadas, além da própria escravatura em si.

É bastante comum encontrar pessoas que defendam a ocupação territorial, pois segundo elas, os povos nativos não conseguiriam se “desenvolver” sozinhos, sendo isso um pensamento totalmente preconceituoso. Não é correto afirmar que uma cultura urbana seja melhor que outra já ali estabelecida. Ainda assim, nada garante que os povos não europeus sejam incapazes de aprimorar técnicas, inventar tecnologias, utilizar recursos naturais, e outras possibilidades.

Atualmente, o preconceito racial contra os afrodescendentes, e os próprios africanos em si, é algo extremamente comum. O que é uma péssima herança de todo um processo ocorrido durante a história. Além disso, ainda hoje a sociedade africana possui cicatrizes deixadas pela colonização de exploração.

GABRIEL OLIVEIRA FIRMINO – 2º Ano A – Ensino Médio Regular

Professora Doutora Mônica Lima e Souza (UFRJ) pelo Programa de Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira – Penesb.

REDAÇÃO SOBRE A HISTÓRIA DA ÁFRICA

O vídeo referente a história da África trata de uma pequena aula, uma aula apresentada pela Professora Doutora Mônica Lima e Souza, o vídeo apesar de bem explicado trata a maioria dos assuntos de forma rápida e superficial, mas mesmo assim eu consegui ter um bom entendimento e irei sintetizar minhas opiniões e ideias a seguir.

Quando se estuda sobre a história da África rapidamente você se dá conta que não se trata de uma história sobre um continente ou um povo, a história da África vai além das fronteiras territoriais, culturais e até mesmo temporais do continente ela se liga com todos os povos do mundo e de maneira suave influencia a todos eles.

Essas informações podem soar como exageradas, mas vale lembrar que já foi praticamente comprovado cientificamente que as primeiras ondas migratórias de seres humanos saíram da África, sendo assim todas as culturas e etnias das Américas até a Ásia tem aspectos descendentes das primeiras formações sociais e culturais que surgiram na pré-história do continente africano.

Por conta da África ser um continente muito grande e antigo diversos eventos acabam por ocorrer simultaneamente porém em áreas muito distintas, por isso sua história acaba por ser fracionada, mas vale destacar algumas das principais características e fatos históricos como por exemplo: As migrações de grupos nômades que acabariam por colonizar a Europa e as Américas, o surgimento do Império egípcio e suas tecnologias agrícolas, sua habilidade de engenharia e organização politica complexa, as trocas comerciais que eram feitas entre regiões da Ásia e regiões do leste africano, os grandes reinos da região central (como o antigo reino do Gongo).

Porém, sem duvida o fato histórico mais conhecido na história da África é sem dúvida o mais triste e terrível deles: Toda a exploração dos recursos naturais e do povo nativo que ocorreu por parte dos europeus; E ao falar disso automaticamente nos lembramos da escravidão e da migração forçada mas também temos que destacar toda a divisão dos territórios que ignorava as divisões já existentes no continente, o que gerou muitos conflitos entre as tribos, a divisão de famílias, a extrema violência exercida pelos europeus para manter o controle e a confiscação de recursos como ouro e pedras preciosas.

O continente africano e seu povo sofreu sua era mais sombria entre os séculos XVII e XIX, durante mais de 300 anos existiu a movimentação forçada de pessoas que eram tratadas como objetos, passavam meses no mar sob condições desumanas somente para passar uma vida inteira trabalhando sem descanso e em condições tão deploráveis quanto as da sua vinda.

Todos esses séculos de exploração tiveram um resultado direto e claro na estruturação socioeconômica do continente e de sua população: Um continente subdesenvolvido, com uma infraestrutura precária e que sofre com governos mal estruturados, o que resulta na formação de milícias e ditaduras militares que também governam por meio do terror e do medo. Já em relação ao povo afrodescendente disperso pelo mundo pode-se citar suas diversas contribuições para as culturas de suas antigas colônias de trabalho, como na gastronomia, música, dança e moda, mas no tamanhas décadas de segregação e racismo ainda tem suas repercussões nos dias atuais , como podemos ver nos diversos casos de violência racial que ocorrem diariamente.

Em resumo: A África é um continente muito importante para a formação social e cultural da humanidade, porém sua história foi manchada por violência e exploração, o que resultou em um território subdesenvolvido e muitas vezes mal visto pelo resto do mundo.

Guilherme Ferreira Candido – 2º Ano A – Ensino Médio Regular

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ÁFRICA, FERMENTO DO BRASIL E DO MUNDO

Atualmente, muita gente ainda pensa que a África é apenas um continente pobre que foi escravizado. Esse pensamento precisa ser mudado. A África foi e é muito mais que isso! Muitos cientistas apoiam a teoria de que o continente africano foi o berço da humanidade. Eles acreditam que a milhares de anos, os primeiros humanos migraram desse continente e se espalharam pelo mundo inteiro, formando diversas civilizações, línguas, culturas e costumes.

O Brasil está diretamente ligado com a África, muitos de nossos costumes, crenças, culturas, comidas e estilos de roupas vieram de lá. Estudiosos dizem que cerca de 12.000.000 de africanos e africanas tenham sido escravizados e traficados no período das grandes navegações, e foram levados a praticamente todos os lugares do mundo. Muitos foram trazidos para cá no que chamamos de “navios negreiros”, embarcações transportando centenas de pessoas em condições degradantes e desumanas, com o intuito de trabalharem para os senhores e senhoras daquela época. Entre reis e rainhas, pobres e ricos da África, ninguém foi poupado das guerras e invasões violentas e sangrentas da colonização europeia, foram humilhados, apanharam muito, trabalham por muitas horas sem nenhum descanso, não tinham direitos políticos nas cidades e eram sempre vistos com olhos tortos.

A verdade é: a cultura africana está em todo lugar! Quando foram escravizados, nossos ancestrais trouxeram consigo além da força, sua enorme sabedoria, suas técnicas, tecnologias e habilidades. Eles foram a base da sociedade contemporânea e, falar que a África é um continente isolado e sem importância é um completo erro!

Luís Gustavo da Silva Braz – 2º Ano A – Ensino Médio Regular

REDAÇÃO VÍDEO HISTÓRIA DA ÁFRICA

No continente africano surgiram os primeiros grupos humanos a povoarem o planeta, surge as primeiras instituições gregárias das sociedades humanas, as primeira famílias, deste continente saiu os primeiros humanos a migrarem de região em região para ocuparem todo o nosso planeta.

A antiguidade do continente africano é rica em história. O Egito um dos impérios mais relevantes do mundo já existente, foi uma grande influência cultural, técnica e até hoje é estudado sobre tudo o que conhecemos hoje.

Durante a idade média acontece a expansão mulçumana, cruzam o estreito de Gibraltar ocupam o sul da Europa, os mouros ocupam o sul da Europa e o norte da África. Na África ocidental houve sociedades, reinos e grandes cidades que comercializavam e se relacionavam entre si e com o sul da Europa e oriente médio, todas as redes de comercio histórico e atual tem relação com a África e suas civilizações.

O tráfico atlântico de africanos escravizados é sem dúvidas o grande motor da idade moderna na África e no mundo. Falar de ouro era falar da África, que em 3 séculos cerca de 12 milhões de africanos foram levadas as américas através de navios negreiros, durante esse período de colonização, os africanos forçados a ir para as américas, começaram a resistir, e implantavam sua cultura e mesclavam com a dos povos ali existentes, fazendo com que o ato e ideais dos espanhóis fossem pouco a pouco sendo combatidos com a criação de uma nova cultura e um novo povo.

As lutas pela liberdade começam desde o século XVII com palmares no brasil, a criação de quilombolas, indo para o século XVIII no caribe com as guerras contra a colonização, onde as ações pela liberdade se intensificaram, e os africanos do outro lado do oceano tiveram grande importância para que mais para frente houvesse a libertação dos mesmos.

Século XX houve a luta colonial, liberdade, lutas de direitos, definição das fronteiras dos países africanos na qual conhecemos hoje.

Sociedades nômades, e aldeias distantes eram muito presentes, e tiveram grande influência na cultura africana, e eram esses os motivos pelo qual a África viveu por séculos distante do poder centralizado, dependendo sempre do comercio exterior.

Formação de estados nacionais africanos, relações entre elites políticas e o poder, e como o nascimento desses estados tem relação de como os governantes construíram seus modelos de estado.

As sociedades africanas são sociedades da palavra, a importância dessa oralidade tem relações com a nossa oralidade, com o nosso mundo. As traduções orais e culturais, estão todas interligadas e conectadas com as histórias e culturas africanas.

Na história da América foi construído com muita força e resistência as Américas que conhecemos hoje, os povos herdeiros de África, grande parte relacionado com a história nas navegações entre a África e as Américas, nós brasileiros independentes da nossa origem familiar, nós carregamos muitas Áfricas. Nós somos África!

Miguel Henrique Guerreiro Silva – 2º Ano A – Ensino Médio Regular

REDAÇÃO SOBRE A HISTÓRIA DA ÁFRICA

A África possui uma história comprida e rebuscada, de algo que poderia ser uma das maiores potências mundiais é hoje um continente considerado subdesenvolvido. A África pode ser dividida em parte norte e leste, pois apresentam relações com a Europa e a Ásia, respectivamente.

Na África surgiram os primeiros modelos de seres humanos, e, com o passar do tempo foram povoando o planeta Terra inteiro, desse modo, possui uma história muito importante para toda a história humana. A África também contribuiu para todo o mundo com as populações que habitaram o Egito, a Mesopotâmia e regiões aos redores.

Um pouco mais adiante, a partir do século XII, há a expansão muçulmana, em que o norte africano ocupa o sul da Europa. Na África ocidental deu origem a reinos com complexas formas de governo, movimentando toda a África e suas respectivas relações de comércio com outras regiões da mesma ou até internacionalmente (China, Índia, Europa e etc).

Na idade moderna a África mudou totalmente a história atlântica, pois os africanos foram um grande motor da história. Na época moderna os africanos são os escravos que moveram grande parte das explorações em busca de minérios, trazendo, além de força física, toda a sua cultura e religiosidade, mudando e influenciando a formação da civilização das Américas ( com muita influência na América do Sul).

No século XVIII e XIX os africanos foram decisivos para a formação de toda a cultura da nossa civilização em especial, com o alto tráfico negreiro o Brasil recebeu uma explosão cultural vinda dos escravos africanos. Já no século XX o colonialismo junto com as negociações e articulações definiu as fronteiras entre países e regiões da África.

Na África sempre houve comunidades e civilizações sem forma de governo, porém não necessariamente se diz que são atrasados socialmente e economicamente, pois seu modo de vida estava suprindo suas necessidades locais, fazendo com que o sistema presente ali ou até mesmo a falta de um estava sendo funcional para os mesmos.

No século XX há o nascimento do estado nacional africano, em que os governantes fundaram seus governos bem estabelecidos, sendo considerados inferiores para muitos. Com o advento da globalização há algumas sociedades que conseguiram sobreviver com o decorrer do tempo, pois há bastante crise de fome e sede na África, algo que vem sendo algo levado muito a sério para ser solucionado o quanto antes.

O estudo sobre a história da África pode ser muito importante para conhecimento da nossa própria nação, pois parte de sua base veio da África. Entenderíamos melhor nossa própria nação se houvesse mais intensivamente o estudo da história da África, tanto em partes culturais, culinárias, musicais, costumes e etc.

Victor De Almeida Martins – 2º Ano A – Ensino Médio Regular

ZUMBI DOS PALMARES – II

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-fim-em-praca-publica-a-fatidica-morte-de-zumbi-dos-palmares.ph

Essa publicação está relacionada a História em Quadrinhos – ZUMBI dos PALMARES de Clóvis Moura e ilustrações de Álvaro Moya, essa obra é de 1955, mas usamos uma versão feita em comemoração dos trezentos anos de Zumbi dos Palmares em novembro de 1995, pela Prefeitura Municipal de Betim – MG.

As imagens e textos abaixo foram as escolhas e interpretações dos estudantes do 2º ano A do Ensino Médio, em 2021, da Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar.

Zumbi dos Palmares

O trecho da tirinha escolhido, mostra a luta de Zumbi, e como a sua liderança foi de grande importância a resistência negra.  Após derrotar e matar Zumbi, o capitão foi premiado com cinquenta mil réis pelo monarca D. Pedro II de Portugal. Sua cabeça foi cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro. Foi exposta em praça pública de modo a acabar com o mito da imortalidade de Zumbi dos Palmares. A data de sua morte, 20 de novembro, foi adotada como o Dia da Consciência Negra. Zumbi dos Palmares é um dos grandes nomes da história do Brasil. Ele foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior e mais longevo quilombo da história de nosso país. Zumbi assumiu a liderança do quilombo, em 1678, e resistiu, durante quase 20 anos, contra as investidas dos portugueses. Zumbi nasceu aproximadamente em 1655, no Quilombo dos Palmares, Capitania de Pernambuco, região da serra da Barriga. Em 1675, Zumbi ganhou notoriedade ao defender o quilombo do ataque das tropas portuguesas. Nesta batalha, demonstrou suas habilidades de guerreiro. Com 25 anos de idade, Zumbi desafiou seu tio. Em 1680, assume o lugar de líder de Palmares. Em 1695, no dia 20 de novembro, Zumbi é delatado por um de seus capitães, Antônio Soares, e morto pelo capitão Furtado de Mendonça. O líder de Palmares tinha 40 anos de idade. Após derrotar e matar Zumbi, o capitão foi premiado com cinquenta mil réis pelo monarca D. Pedro II de Portugal. Sua cabeça foi cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro. Foi exposta em praça pública de modo a acabar com o mito da imortalidade de Zumbi dos Palmares. A data de sua morte, 20 de novembro, foi adotada como o Dia da Consciência Negra.

Ana Carolina Oliveira Leme dos Santos – 2º A Ensino Médio, em 2021.

Tira escolhida:

A tira que eu escolhi da HQ de Zumbi dos Palmares foi esta, e o motivo é pelo fato da carga e também pela mensagem que ela traz.

A tira mostra que a luta de Zumbi foi algo de fato muito significativo(o que é inegável com toda certeza), e é esta a carga que está presente nela, Zumbi inspirou todos que conhecem a sua história, e assim se tornou um dos maiores símbolos de resistência. Os guerreiros companheiros de Zumbi que sobraram após sua morte, graças ao sacrifício que este realizou ao resistir até o último momento possível, mencionam que ninguém possuiu a valentia de Zumbi e que eles iriam continuar sua luta. Zumbi morreu devido a covardia de um de seus guerreiros que, pensando apenas em si mesmo, traiu a todos. Seus guerreiros escolhem continuar a mesma luta, sem covardia, para que tudo não tenha sido em vão, e assim o fazem, mencionando a seguinte frase “Enquanto houver escravidão, haverá um Zumbi lutando contra ela”. Essa frase traz uma mensagem importante, que pode ser aplicada aos dias de hoje. Troquemos “escravidão” por “racismo”, e “Zumbi” por um nome como “Mandela”, e assim somos transportados diretamente para a luta que se estende até os dias atuais, a luta contra o racismo.

Mandela foi um dos maiores nomes presentes na luta contra o racismo, desde muito cedo percebendo a perversidade do sistema racista e a necessidade de organização na luta contra o Apartheid, que tirava dos negros seus direitos, sua resistência foi tanta que ficou preso por 27 anos, e em 1994 tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul, quebrando todas as regras. Morreu
em 2013, e com sua luta moveu não só a África do Sul, como também todo o mundo, servindo de inspiração para todas as gerações.

Portanto, nomes como Zumbi, Mandela ou ainda Martin Luther King, só de serem ouvidos, automaticamente já se tornam inspiração para resistência.

A tira que foi escolhida, mostra que a luta deve continuar, deve ser continuada, para que estes nomes e todos os outros que já vieram ou ainda estão por vir, não sejam apenas nomes que já foram inspirações, e sim nomes que sempre serão inspirações.

A luta que Zumbi começou contra o sistema e que Mandela e todos os outros que vieram depois deste continuaram, deve permanecer, até o dia em que a resistência não seja mais necessária, pois neste dia à vitória terá sido conquistada.

Ana Luiza Bergantim – 2º A Ensino Médio, em 2021.

A Influência de Zumbi e a Conscientização contra o Racismo

A HQ dos Zumbi dos Palmares, de Clóvis Moura nos conta um pouco sobre a história desse grande líder e guerreiro, que mudou completamente a questão da resistência à potência portuguesa, dando força, coragem e determinação ao povo afrodescendente.  A história se passa em (1655 – 1695).                                                                                       

Para realizar os seguintes comentários, eu decidi utilizar, o momento que em minha opinião, foi o mais crucial para o desenvolvimento da história: O momento na qual Zumbi assume a liderança do povo e da república dos Palmares.

Zumbi, além de determinado a honrar e proteger seu povo, ele era respeitado e tinha prestígio. Com isso conclui-se que ele era o favorito ao cargo e o mais apropriado por não trair seu povo. Com zumbi no comando, o povo ficou mais motivado a batalhar e lutar por sua independência. Ao decorrer da história percebemos que suas percepções e ações, sempre são as melhores possíveis. Um exemplo disso foi quando os portugueses tentaram impor “paz” o que na verdade era um golpe para derrotar os Palmares. Zumbi percebeu isso e não cedeu. Apesar de Ganga-Zona (irmão de Ganga-Zumba) sempre ir contra e tentar “mexer” com a cabeça de seu irmão, ele sempre permanecia firme e isso resultou em um combate na qual Zumbi foi campeão. Assim que Zumbi assumiu o poder, ele já propôs melhorias na resistência e no exército dos Palmares.

O preconceito com a pele negra e os afrodescendentes, sempre foi eminente tanto na história quanto nos tempos atuais. No entanto, felizmente as coisas evoluem de uma forma boa. No caso do preconceito com a raça negra, felizmente tem se tornado um tema eminente na qual essa questão vem diminuindo.

Apesar de os números e casos racistas ainda serem extremamente grandes, em relação com o passado, nos mostra que a conscientização e as mudanças de pensamento estão mais inseridas em nossa sociedade.

Eduardo da Silva Lima  – 2º A Ensino Médio, em 2021.

ZUMBI DOS PALMARES

Zumbi, também conhecido como Zumbi dos Palmares, foi um líder quilombola brasileiro, o último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial. Zumbi nasceu na então Capitania de Pernambuco, em região hoje pertencente ao município de União dos Palmares, no estado de Alagoas.

Na história em quadrinhos escrita por Clóvis Moura, um das páginas que mais me encanta é a página 15, na qual mostra a honra e a perseverança dos negros de Palmares, na qual os ‘brancos’ querem ir atrás dos negros para os levarem novamente até às fazendas, assim então, começa os preparativos para um combate. Os negros começam fortificando sua base, enquanto Jorge Velho fortifica sua tropa e bola um plano surpresa para atacar a base deles logo ao amanhecer.

Eu gosto dessa página, pois ela mostra toda a garra dos negros, que apenas querem proteger suas famílias e seu povo, por exemplo, o Subupira, que ficou encarregado de defender o córrego e logo depois vem a falecer, mas com dignidade e provando ser leal a tribo.

Essa história em quadrinhos nos ensina muitas coisas, visto em um tom mais otimista, podemos ver que devemos primeiramente defender nossa família e o nosso povo, ter honra e dignidade sempre, ser uma pessoa incrível e confiante. Além disso, podemos também estudar um pouco mais de história e entender como os negros sofriam na época da escravidão, onde o tráfico de pessoas e maltratar os negros eram visto como uma coisa normal, algo totalmente errado.

Portanto, eu super indico essa HQ para outras pessoas que querem entender mais como foi a escravidão e principalmente a história de Zumbi dos Palmares, é muito bom, apesar de ser muito triste.

Gabriel dos Santos Soares – 2º A Ensino Médio, em 2021.

TRECHO ESCOLHIDO

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O trecho acima mostra que mesmo tendo sido traído e morto, Zumbi inspirou aqueles que ouviram ou fizeram parte da sua luta contra a escravidão. Seu exemplo inspirou outras lutas que fizeram com que sua morte não tenha sido em vão, pois dentre uma multidão de oprimidos ele se ergueu com punhos cerrados e encarou a injustiça à qual ele e seus iguais eram submetidos, sem escolha, como se fossem inferiores, meros objetos que podiam ser usados e depois descartados.

Infelizmente essa luta continuou sendo necessária por muito tempo e ainda é necessária. Durante a história existiram vários outros nomes que lutaram contra a desigualdade, preconceito, contra o racismo, nomes que deixaram a sua marca devido a importância de suas lutas. Podemos citar como grandes exemplos Martin Luther King, Malcom X e Nelson Mandela, pessoas que se cansaram de ver a injustiça vencer e resolveram se erguer e emprestar a sua voz a todos aqueles que tinha medo e eram oprimidos, inspirando grandes movimentos que resultaram em mudanças na sociedade, o que prova que o silencio não é uma opção quando mudanças são necessárias.

Seguir os exemplos dos nomes citados acima é o primeiro passo para acabar com as injustiças que prevalecem na sociedade e que se estendem a tantos outro temas além do racismo, o que mostra que a sociedade está longe do ideal, mas pessoas corajosas o suficiente para dizer basta, pessoas como Zumbi, prova que ainda á esperança, que existem aqueles dispostos a lutar pelo que é certo e pelo menos tentar causar mudanças significativas.

Casos recentes mostraram que essa luta ainda não acabou, com a morte de George Floyd o movimente Black Lives Metters (Vidas negras importam) ganhou força em uma escala internacional levando jovens a rua dizendo basta à agressão policial que ocorre contra a população negra.

Essas lutas são importantes, mas o mundo ideal seria aquele em que elas não sejam necessárias, onde todos vivam igualmente sem precisar se preocupar em ter seus direitos como ser humano violados independente do motivo e para isso devemos olhar para tudo que impede que esse ideal seja real e dizer basta.

Para citar algumas personalidades negras brasileiras, como: Sabotage (https://hemetec.wordpress.com/2021/10/31/consciencia-negra-observar-o-nao-visto-i/), Abdias do Nascimento, Antonieta de Barros, Nilo Peçanha, Pedro Augusto Lessa, Benedita da Silva, Gilberto Gil, Marina Silva, Jean Wyllys e Marielle Franco, ver link: https://www.leiaja.com/politica/2020/11/20/conheca-principais-liderancas-negras-do-brasil/

Gabriel Guilherme Messias – 2º A Ensino Médio, em 2021

As tiras que eu mais gostei são as da paginas 5 e 6 que nos dão uma ótima abertura sobre a historia dos primeiros quilombos e como o primeiro quilombo se formou, e também mostra a revolta dos senhores pela perda de escravos que designaram o dobro de capitães do mato, e já na parte final da tira da pagina 5 e no começo da pagina 6 já vemos a revolta de um dos senhores devido a perca de escravos, logo no começo da tira vemos esse senhor dizendo que acharia o quilombo onde estão os escravos fugitivos, e no começo das tiras vemos um negro que e chamado de “aquele que sabe onde fica o caminho que leva ao quilombo”.

Meus comentários sobre a HQ: Eu gostei muito da forma em que eles apresentam a historia da fuga e revolução dos escravos, sem contar as ilustrações que são incríveis com certeza a pessoa que criou essa HQ além de trazer os fatos de forma correta trouxe também uma ilustração incrível que te ajuda a entrar no clima da historia e conseguir compreender de forma completa os fatos, uma verdadeira obra prima, confesso que já li essa HQ mais de 3 vezes de tão boa, quero agradecer a professora que nos apresentou essa obra prima que além de narrar os fatos de forma clara nós trás uma ilustração incrível.

João Augusto Costa Guedes – 2º A Ensino Médio, em 2021.

ZUMBI DOS PALMARES

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-fim-em-praca-publica-a-fatidica-morte-de-zumbi-dos-palmares.ph

Essa publicação está relacionada a História em Quadrinhos – ZUMBI dos PALMARES de Clóvis Moura e ilustrações de Álvaro Moya, essa obra é de 1955, mas usamos uma versão feita em comemoração dos trezentos anos de Zumbi dos Palmares em novembro de 1995, pela Prefeitura Municipal de Betim – MG.

As imagens e textos abaixo foram as escolhas e interpretações dos estudantes do 2º ano A do curso: ADM – Ensino Médio com Habilitação Profissional de Técnico em Administração, em 2021, na Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar.

Zumbi dos Palmares trouxe pra todos nós, e principalmente para aqueles que descenderam da luta escravista, uma esperança e resiliência em meio ao desprezo e a tragédia.

Quando falamos da luta pela igualdade racial e suas vertentes, sem dúvidas, falamos também sobre o Zumbi do Palmares e toda a sua história. Sem ele, a ideia de conquistar o que deve ser de cada indivíduo por direito seria uma mera miragem, já que com a sua atitude ele originou a resistência negra para ser mantida e divulgada por cada um de nós.

Inicialmente, o trecho da história em quadrinhos que mais me chamou a atenção (imagem acima), trouxe como esse resultado a inquietação e ambição que o Zumbi espera daqueles que vieram e virão depois dele, seja por meio de ativistas ou protestantes. O trecho, então, destaca a resiliência que ele possui e a persistência em busca de justiça, ou ainda mais do que isso.

Sendo assim, a partir dessa cena, é possível se inspirar e se manter firme dentre as lutas sociais das quais ainda temos que estar presentes nos dias de hoje, para que, no futuro, elas sejam supridas e todos aqueles que lutaram, inclusive o Zumbi dos Palmares, sejam enfim vingados.

Gabriela Larraz do Rego e Silva – 2º ADM

Zumbi dos Palmares e Hoje

Quadrinho da página 16.

Entre os séculos 16 e 19 cerca de 5 milhões de negros foram trazidos ao Brasil para serem escravizados, como forma de resistência a toda opressão que estavam sofrendo, alguns deles fugiam para se reunir em comunidades denominadas de Quilombos. Espalhados por todo Brasil, eram fortalezas construídas em locais de difícil acesso, já que sofriam constantes ataques. Ali viviam livremente, podiam expressar sua cultura, dividiam tarefas, mantinham uma alimentação boa e confeccionavam armas e roupas.

O maior quilombo que existiu na América Latina foi o Quilombo dos Palmares, que é um forte exemplo de resistência. Com cerca de 20 mil habitantes, eles lutavam dia após dia por segurança e liberdade. A fortaleza contava com muralhas, vigilância, soldados e até armadilhas. Com isso, resistiram mais de 100 anos a tentativas de invasões de Portugueses e Holandeses. O último líder deles foi Zumbi dos Palmares que após anos de luta e perseguição, caiu em uma emboscada e foi morto, dando fim ao Quilombo dos Palmares.

Mesmo depois de 300 anos, os quilombos são símbolo de resistência cultural e social para a comunidade negra, que sofre opressão tal como seus antepassados, só que em outros moldes. No Brasil, dados mostram que a diferença entre negros e brancos continuam a mesma, tendo em vista que brancos são 2,5 vezes mais ricos que negros, que por sua vez, são 64% da população mais empobrecida do país. Além do baixo poder aquisitivo, quando falamos de educação, um branco de 25 anos tem o dobro de anos de estudo que um negro da mesma idade.

Vivemos em um país onde muitos gostam da ideia de que há democracia racial, mas a realidade é que o racismo no Brasil é institucional, velado e enraizado, o que mantem a população negra às margens da sociedade e impede sua ascensão.

“Para cada um dos seus guerreiros que lutam apenas por dinheiro, haverá dez palmares que lutam por suas mulheres e filhos”. Essa frase foi dita por Zumbi dos Palmares em 1694 para invasores brancos. Atualmente, pessoas negras também lutam contra a violência, são 71% das pessoas assassinadas e 76% dos mortos em operações policiais. Além disso, sofrem as consequências do sistema capitalista, já que são a maioria dos que realizam trabalhos braçais e ocupam apenas 30% dos cargos de gerência.

A escravidão colocou negros e brancos em mundos diferentes e dividiu as classes por cor. Com a Lei Áurea, em 1888, os brancos criaram mecanismos menos explícitos do que as senzalas para manter os negros num lugar de subordinação e exploração. Mesmo depois de 133 anos, carregamos na nossa sociedade marcas fortes da escravidão, porém pouco é feito pelas autoridades para mudar essa história e a comunidade continua resistindo a toda opressão que sofrem.

“Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista.”- Ângela Davis

Júlia da Graça Silva – 2º ADM

A Importância da Resistência Negra

Quadrinho da página 24.

O quadrinho retrata uma das cenas em que Zumbi dos Palmares, líder quilombola, e seus aliados lutam contra os brancos, os quais desejavam dominar a terra de Palmares, onde moravam os escravos refugiados e seus descendentes, e escravizar os palmarinos, que chegaram a formar uma população de 20 mil pessoas.

A escravidão infelizmente é algo que fez parte da nossa história e a de negros foi a que mais durou. Milhares de africanos foram tirados a força de suas terras nativas, levadas para um lugar desconhecido, separados de seus amigos e familiares e obrigados a servirem estranhos que com castigos, mais trabalhos e torturas (sem motivos muitas vezes), lhes retribuíram.

E a violência contra negros não para por aí. Em diversos lugares do mundo e em diferentes épocas vemos o quão absurdo e trágico é a discriminação racial, como no caso da segregação racial que houve nos Estados Unidos, por exemplo, em que os negros tinham menos oportunidades, direitos que os brancos e não podiam nem mesmo conviver com estes; ou como o caso de João Freitas, homem negro brasileiro que no ano passado (2020) foi espancado até a morte por dois homens brancos (seguranças) num supermercado Carrefour.

É triste saber que isso ainda existe. Não é porque a cor da minha pele é mais escura que eu deixo de ser um ser humano, com o direito de ser respeitado, de viver e de poder crescer na vida. Por isso é de suma importância que as pessoas se posicionem encontra o preconceito, para que todos tenham liberdade, o direito de viver plenamente, assim como se posicionou Martin Luther King, ativista negro que liderou movimentos contra a segregação racial nos Estados Unidos; ou como Zumbi, outra grande referência da resistência negra que também lutou bravamente pela liberdade de muitos negros.

Quadrinho da página 34.

Milene Neres de Souza – 2º ADM

Escolhi esse quadradinho da HQ pois ele demonstra o quão incomparável Zumbi era tanto em combate,  quanto para com suas convicções e determinação de conseguir a liberdade de seu povo, isso é visto quando o soldado reconhece que o único jeito de eliminar Zumbi é a distância e que seu comandante seria facilmente eliminado pelo guerreiro se o enfrentasse em um confronto a curta distância , demonstrando o quanto os soldados temiam confrontos de frente com Zumbi a ponto de o soldado matar Zumbi de maneira covarde com um tiro nas costas assim o matando mais não o legado deixado por ele, que vive até os dias de hoje.

Duas tiras de quadrinhos da página 34.

Um legado de força, determinação e bravura para fazer o que é certo para seu povo ter sua liberdade custe o que custar.

Nikolas do Carmo de Paula Carvalho – 2º ADM.

ZUMBI DOS PALMARES

Quadrinhos da página 06.

Zumbi dos Palmares sem dúvidas foi um dos maiores heróis do movimento contra escravidão Do século 17, Zumbi era um líder quilombola na verdade foi último dos líderes do Quilombo dos Palmares, o maior dos quilombos do período colonial. No quadrinho escolhido vemos o começo da “carreira” dela quando o povo de Palmares começou a demonstrar certa admiração pelo guerreiro jovem, porém, o irmão do rei (Ganga-Zumba) Ganga-Zona começou a invejar a atenção e reconhecimento que o rapaz na época estava recebendo e então decidi “fazer a cabeça” de seu irmão tentando de todas as formas colocar Zumbi como um possível traidor, porém, o rei não acreditou nas palavras do irmão e disse que Zumbi era um guerreiro fiel.

De fato Zumbi era um guerreiro fiel, porém, fiel a seu povo quando o rei decidiu fazer um acordo de paz com o governador Zumbi não concordou, pois já suspeitava que fosse uma armadilha (e mais tarde todos perceberam que Zumbi estava certo) o governador jamais cederia tão facilmente ainda mais com a pressão dos donos de escravos que estavam enfurecidos com as fugas, logos após o acordo ser “fechado” veio o ataque e Zumbi já havia preparado os guerreiros mais jovens, após muito derramamento de sangue os guerreiros de Palmares se tornaram vitoriosos e Zumbi foi declarado rei de Palmares, porém após muitas lutas por liberdade Zumbi foi morto e sua cabeça levada para o governador que achou que tinha destruído Palmares, porém o povo não se abalou eles sabiam que Zumbi havia morrido para trazer a liberdade a eles e decidiram seguir suas ideias e lutar por sua liberdade.

Thamara Freitas de Lima – 2º ADM

CONSCIÊNCIA NEGRA: OBSERVAR O NÃO VISTO – VII

Revista Filosofia Ciência e Vida – Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor nº 89, p. 36.

Estamos publicando uma sequência de pesquisas realizadas pelos (as) estudantes do 3º ano B do Ensino Médio da Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar, em 2021, a partir do texto “Consciência Negra: Observar o não visto” da Revista de Filosofia (www.portalcienciaevida. com.br), Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor – Reflexões e Prática 89, ps 36 a 42.


Realizamos leitura em aula do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre e como atividade foram realizadas as pesquisas que estamos postando.

Para quem quiser ler, segue o arquivo do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre:

O escritorLuiz Gama (1830-1882)

Grande líder abolicionista, Luiz Gama era filho de pai português e de Luiza Mahin, negra acusada de ser uma das lideranças da Revolta dos Malês, um grande levante de escravos que ocorreu em Salvador em 1835. Vendido pelo pai aos 10 anos de idade, foi escravo doméstico até os 18 anos, quando consegue provar que, letrado e filho de mulher livre, não podia ser cativo. Ingressou na Força Pública da Província de São Paulo e depois tornou-se escrevente na Secretaria de Polícia, onde teve acesso à biblioteca do delegado.


Autodidata, tornou-se renomado advogado, atuando nos tribunais em prol da libertação de diversos negros irregularmente mantidos em cativeiro ou acusados de crimes contra os senhores. Dava também conferências e escrevia artigos polêmicos nos quais erguia a bandeira do abolicionismo e lutava diretamente contra os ideais de branqueamento da sociedade. Publicava poemas sob o pseudônimo de “Afro”, “Getulino” ou “Barrabás”, e lançou seu primeiro livro em 1859, coletânea de versos satíricos de nome Primeiras Trovas Burlescas de Getulino.

Disponibilizamos em pdf a obra Primeiras Trovas Burlescas de Getulino:

Mangueira – Samba-Enredo 2019

Marielle Franco

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês

b)Música e dança afro brasileira:

Dança: Samba de roda

https://www.umquedenegritude.com/

SOLANO TRINDADE (1908- 1974)

Solano Trindade

Francisco Solano Trindade nasceu em 24 de julho de 1908, no bairro de São José, em Recife-PE, filho do sapateiro Manoel Abílio e da doméstica Emerenciana Quituteira. A miscigenação está presente nas origens étnicas do autor: neto de negro e branca, pelo lado paterno; e negro e índia, do lado materno. Estudou no Liceu de Artes e Ofícios da capital pernambucana, tendo concluído o equivalente ao ensino médio atual.


Desde cedo, estabeleceu contato com a cultura popular e o folclore, levado pelas mãos do pai que, nos dias de folga, dançava Pastoril e Bumba-meu-boi nas ruas do Recife. O carnaval, suas figuras, o maracatu, e o frevo fascinavam o menino. A pedido da mãe, analfabeta, lia novelas, literatura de cordel e poesia romântica, que ambos apreciavam. Já adulto, o autor se casa em 1935 com Maria Margarida – terapeuta ocupacional e coreógrafa – com quem teve quatro filhos.

A década de 1930 é marcada em todo o mundo pela ascensão do nazismo e do fascismo, que iriam controlar quase toda a Europa a partir da deflagração da Segunda Guerra Mundial, em 1939. A polarização ideológica entre direita e esquerda contamina as discussões sobre arte e literatura. E a noção mítica de “raça superior”, oriunda cientificismo do século XIX, impulsiona fortemente a discriminação racial existente no Brasil desde a colonização. O autoritarismo segregador defendido pelo discurso nazi-fascista se espalha pelo país a partir da crescente pregação do Partido Integralista, dirigido pelo também escritor Plínio Salgado. Em contrapartida, dá-se o fortalecimento na Imprensa Negra e a criação da Frente Negra Brasileira, que também se organiza em forma de partido político e fortalece a resistência dos afrodescendentes em sua luta pela obtenção da cidadania plena, a começar pelo direito à Educação, passados pouco mais de 40 anos de vigência da Lei Áurea.

Nesse período, Solano Trindade participa em Recife do I Congresso Afro-brasileiro, organizado por Gilberto Freyre, que reúne dezenas de intelectuais voltados para a discussão da contribuição cultural da diáspora africana em nosso país. Participa também do II Congresso Afro-brasileiro, realizado posteriormente em Salvador.

Em 1936, entusiasmado com os movimentos em prol da consciência negra, que se espalhavam nas principais cidades do país, funda a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-Brasileira, juntamente com o poeta Ascenso Ferreira, o pintor Barros e o escritor José Vicente Lima. Esse órgão tinha como objetivo, dentre outros, promover a pesquisa da afrodescendência na cultura e na história, buscar a expressão afro-brasileira na literatura e nas artes em geral, além de promover a divulgação de intelectuais e artistas negros. Em seu documento de fundação, o Centro de Cultura Afro-brasileira proclama: “não faremos lutas de raças, porém ensinaremos aos irmãos negros que não há raça superior, nem inferior, e o que faz distinguir uns dos outros é o desenvolvimento cultural. São anseios legítimos a que ninguém de boa fé poderá recusar cooperação.” (Apud FARIA, in: TRINDADE, 1981, p. 15).

Ainda em 1936, estréia na literatura com a publicação de Poemas negros. Editada em Recife, a coletânea de Solano Trindade polemiza com o livro homônimo do também nordestino Jorge de Lima, lançado no mesmo ano e trazendo a público o discutido poema “Nêga Fulô”.

Na década seguinte, depois de passar por Belo Horizonte e Porto Alegre, fixa residência no Rio de Janeiro, onde se integra aos círculos literários e culturais e trava conhecimento com outros artistas afrodescendentes. Em 1944, lança seu segundo livro, Poemas d’uma vida simples, que obteve boa repercussão junto à crítica da época. Amante devotado das formas populares de representação, o poeta assiste à criação do  TEN – Teatro Experimental do Negro – fundado em 1944 por Abdias Nascimento.

Em 1950, Solano Trindade funda em Caxias, na Baixada Fluminense,  ao lado da esposa, Margarida Trindade, e do sociólogo Edison Carneiro, o Teatro Popular Brasileiro, que contava com um elenco formado por domésticas, operários e estudantes e tinha como projeto estético-ideológico “pesquisar na fonte de origem e devolver ao povo em forna de arte.” Ainda na década de 1950, os espetáculos de canto e dança apresentados pelo TPB foram levados a vários países da Europa.

Em 1958, lança seu terceiro livro, Seis tempos de poesia, publicado em São Paulo.

A partir dos anos 1960, o poeta passa a residir em Embu, nas cercanias de São Paulo. Ato contínuo, deflagra grande movimentação artística e cultural na cidade. Espetáculos sucedem-se, atraindo público da capital e estimulando o desenvolvimento da pintura e do artesanato locais. A pequena Embu transforma-se mais tarde em “Embu das Artes” e vira atração turística.

Em 1961, sai o quarto livro, Cantares ao meu povo, cujos originais haviam sido enviados a Roger Bastide, um dos primeiros estudiosos da poesia afro-brasileira, que se encanta com os poemas.

Doente e cansado, Solano Trindade deixa Embu para residir em São Paulo. Termina seus dias pobre e esquecido numa clínica no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1974, vítima de pneumonia.

Tauane Resendes Abreu Aureliano – 3º B Em, em 2021.

POEMA: Navio Negreiro

Lá vem o navio negreiro

Lá vem ele sobre o mar

Lá vem o navio negreiro

Vamos minha gente olhar…
 

Lá vem o navio negreiro

Por água brasiliana

Lá vem o navio negreiro

Trazendo carga humana…
 

Lá vem o navio negreiro

Cheio de melancolia

Lá vem o navio negreiro

Cheinho de poesia…
 

Lá vem o navio negreiro

Com carga de resistência

Lá vem o navio negreiro

Cheinho de inteligência…

            A poesia de Solano Trindade remete ao uso dos navios portugueses no período colonial, para transporte de escravos até o Brasil. Através do ritmo da poesia, a letra consegue ser cantada com facilidade, além disso, a letra valoriza o povo negro. A escolha da poesia ocorreu devido aos fatores já apresentados e o fato do título da obra ter chamado minha atenção.

O mesmo poema declamado:

Pedro de Assis Lima Junior – 3º B Em, em 2021.

CONSCIÊNCIA NEGRA: OBSERVAR O NÃO VISTO – VI

Revista Filosofia Ciência e Vida – Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor nº 89, p. 36.

Estamos publicando uma sequência de pesquisas realizadas pelos (as) estudantes do 3º ano B do Ensino Médio da Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar, em 2021, a partir do texto “Consciência Negra: Observar o não visto” da Revista de Filosofia (www.portalcienciaevida. com.br), Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor – Reflexões e Prática 89, ps 36 a 42.


Realizamos leitura em aula do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre e como atividade foram realizadas as pesquisas que estamos postando.

Para quem quiser ler, segue o arquivo do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre:

https://www.revistaprosaversoearte.com/lima-barreto-no-cinema-e-na-teledramaturgia-do-brasil-andre-de-paula-eduardo/

Biografia de Lima Barreto:

Afonso Henriques de Lima Barreto, mais conhecido como Lima Barreto (1881-1922) foi um escritor brasileiro, “o romancista da primeira república.” Foi um importante escritor do Pré-Modernismo, período histórico no qual precedeu a Semana de Arte Moderna de 1922.

Lima Barreto nasceu em Laranjeiras, Rio de Janeiro no dia 13 de maio de 1881. Filho do tipógrafo Joaquim Henriques de Lima Barreto e da professora primária Amália Augusta, ambos mestiços, sofreu preconceito a vida toda, com sete anos de idade ficou órfão da mãe, Por ser afilhado do Visconde de Ouro Preto fez o curso secundário no Colégio Pedro II onde depois Ingressou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro onde iniciou o curso de Engenharia.

Em 1903, quando cursava o terceiro ano, foi obrigado a abandonar o curso, pois seu pai havia problemas mentais e o sustento dos três irmãos agora era responsabilidade de Lima Barreto; Em 1904, presta concurso para escriturário do Ministério da Guerra, é aprovado e permanece na função até se aposentar.

Em 1905, ingressou no jornalismo com uma série de reportagens que escreveu para o Correio da Manhã; Em 1907 fundou a revista “Floreal”, que lança apenas quatro números.

Em 1909, Lima Barreto estreou na literatura com a publicação do romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha, O texto acompanha a trajetória de um jovem mulato que vindo do interior sofre sérios preconceitos raciais, a obra em tom autobiográfico, é uma revolta contra o preconceito racial e uma implacável sátira ao jornalismo carioca, a crítica social paira em um plano psicológico: muitas vezes quem fala é o próprio autor e não seu personagem-narrador Isaías Caminha.

Entretanto, em 1915, depois de ter publicado em folhetos, Lima Barreto publica o livro Triste Fim de Policarpo Quaresma, sua obra mais conhecida, nesse romance, o autor descreve a vida política no Brasil após a Proclamação da República, a obra narra os ideais e as frustrações do funcionário público, Policarpo Quaresma, homem metódico nacionalista fanático, patriota,  sonhador e ingênuo, Policarpo dedica a vida a estudar as riquezas do país; Além da descrição política do final do século XIX, a obra traça um rico painel social e humano dos subúrbios cariocas na virada do século.

Lima Barreto com seu espírito inquieto e rebelde, com seu inconformismo com a mediocridade reinante e com a doença do pai, se entrega ao álcool e tem diversas crises, com verdadeiras manifestações de alienação mental.

Foi internado duas vezes com alucinações, no momento de lucidez inicia a redação do livro “Cemitério dos Vivos”, onde ele dizia: “O abismo abriu-se a meus pés e peço a Deus que jamais ele me trague, nem mesmo o veja diante dos meus olhos como vi por várias vezes, de mim para mim, tenho certeza que não sou louco …”, Lima Barreto viveu apenas 41 anos, falecendo no Rio de Janeiro, no dia 01 de novembro de 1922.

Para acessar a obra de Lima Barreto para download gratuito:

https://farofafilosofica.wordpress.com/2017/08/01/lima-barreto-32-obras-em-pdf-para-download/

Vamos disponibilizar em pdf a obra O TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA:

E essa obra é a base do filme homônimo:

E também tem a versão em Áudio livro:

Rodrigo Rocha Melquíades – 3º B EM, em 2021.

b) Pesquisar pelo menos uma música (coloque a letra e o link da música) e uma dança afro-brasileira (coloque uma fotografia e o link de uma apresentação dessa dança).

Olhos Coloridos – Sandra de Sá

Os meus olhos coloridos
Me fazem refletir
Eu estou sempre na minha
E não posso mais fugir

Meu cabelo enrolado
Todos querem imitar
Eles estão baratinados
Também querem enrolar

Você ri da minha roupa
Você ri do meu cabelo
Você ri da minha pele
Você ri do meu sorriso

A verdade é que você
Tem sangue crioulo
Tem cabelo duro
Sarará crioulo

Sarará crioulo
Sarará crioulo
Sarará crioulo
Sarará crioulo

Samuel Vicakas Carneiro – 3º B EM, em 2021.

Maculelê:

Explicação da escolha da dança: a dança apesar de ser afrodescendente, é integradora entre os vários tipos de etnias que convivem no Brasil.

                                     Solano Trindade:

Francisco Solano Trindade nasceu em Recife, em 1908, no bairro de São José e morreu em 1974 no Rio de Janeiro, filho do sapateiro Manuel Abílio, mestiço de negro com branca, e da quituteira Dona Emerenciana, descendente de negros e indígenas. No Recife, Solano estudou até o segundo grau e chegou a participar, por um ano, do curso de desenho do Liceu de Artes e Ofícios. Quando ainda era bastante jovem, nasceu o amor de Solano pela poesia e ele começou a compor seus primeiros poemas em meados da década de 20. No início da década seguinte, o poeta foi um dos organizadores e idealizadores do I Congresso Afro-Brasileiro, realizado em 1934 na cidade de Recife e liderado por Gilberto Freyre. Solano também participou em 1937 do segundo congresso Afro-Brasileiro, realizado em Salvador.

No início da década de 40, o poeta segue para Belo Horizonte e depois para o Rio Grande do Sul, onde funda um grupo de arte popular em Pelotas. Pouco tempo depois, volta ao Recife e finalmente segue para a cidade do Rio de Janeiro, onde fixa residência em 1942. Na então Capital Federal, Solano publicou o seu livro “Poemas de uma Vida Simples” em 1944. Devido a um dos poemas do livro, “Tem Gente com Fome”, o poeta foi preso, perseguido e o livro apreendido, embora houvesse, de fato, muita gente passando fome no Brasil. Ainda em 1944, Solano prestigiou o primeiro concerto da Orquestra Afro-Brasileira, do amigo e maestro Abigail Moura e fundou, com Haroldo Costa, o Teatro Folclórico Brasileiro. No ano seguinte, ao lado do amigo Abdias do Nascimento, constituíram o Comitê Democrátrico Afro-brasileiro, que se estabeleceu como o braço político do Teatro Experimental do Negro, liderado por Abdias.

Embora participasse de muitas atividades junto ao TEN, no ano de 1950 Solano fundou, ao lado de sua esposa Margarida Trindade e do intelectual Édson Carneiro, o Teatro Popular Brasileiro (TPB), grupo com sede na UNE, cujo elenco era formado por operários, domésticas e estudantes e que tinha como temática e inspiração algumas das principais manifestações culturais brasileiras, como o bumba-meu-boi, os caboclinhos, o coco e a capoeira. O grupo adaptava para o teatro números de dança e música da cultura popular afro-brasileira e indígena. Cinco anos mais tarde, o poeta criou o grupo de dança Brasiliana, que realizou, com destaque, inúmeras apresentações no exterior.

Em finais da década de cinquenta, Solano resolve fixar as atividades do Teatro Popular Brasileiro na cidade de São Paulo, na tentativa de aproveitar a intensa vida cultural da cidade. Nessa expectativa, muda-se para a cidade de Embu, localizada na grande São Paulo, onde lança o seu livro “Cantares do Meu Povo”. Entre 1961 e 1970, Solano viveu em Embu das Artes. Enquanto esteve por lá, transformou o município em um verdadeiro centro cultural, para onde foram diversos artistas que passaram a viver de arte. Na cidade, o TPB viveu a sua melhor fase, sendo que as apresentações do grupo eram sempre muito concorridas.

Solano foi o grande criador da poesia “assumidamente negra”, segundo muitos críticos. Os livros lançados por ele foram: “Poemas de uma Vida Simples”, 1944, “Seis Tempos de Poesia”, 1958 e “Cantares ao meu Povo”, 1961. Como ator, participou dos filmes “Agulha no Palheiro” (1955), “Mistérios da Ilha de Vênus” (1960) e “O Santo Milagroso” (1966). Trabalhou também como artista plástico, pintando quadros a óleo, sendo que um quadro do artista hoje faz parte do acervo do Museu Afro Brasil.

O artista adoeceu no início da década de 70, sofrendo de pneumonia e arteriosclerose, foi internado em diversos hospitais, até vir a falecer no Rio de Janeiro, em 20 de fevereiro de 1974. Atualmente, sua filha Raquel Trindade e seus netos são os responsáveis pela continuidade da sua obra. A família vive em Embu das Artes, onde há um teatro popular com o nome de Solano Trindade, além de uma escola e uma rua que homenageiam o poeta. No Rio de Janeiro foi criado em 1975 o Centro Cultural Solano Trindade e no ano seguinte, em São Paulo, a Escola de Samba Vai-Vai desfilou pelo sambódromo homenageando a vida desta importante personalidade da nossa cultura.

Poema Tem gente com fome:

Trem sujo da Leopoldina

correndo correndo

parece dizer

tem gente com fome

tem gente com fome

tem gente com fome

Piiiiii

Estação de Caxias

de novo a dizer

de novo a correr

tem gente com fome

tem gente com fome

tem gente com fome

Vigário Geral

Lucas

Cordovil

Brás de Pina

Penha Circular

Estação da Penha

Olaria

Ramos

Bom Sucesso

Carlos Chagas

Triagem, Mauá

trem sujo da Leopoldina

correndo correndo

parece dizer

tem gente com fome

tem gente com fome

tem gente com fome

Tantas caras tristes

querendo chegar

em algum destino

em algum lugar

Trem sujo da Leopoldina

correndo correndo

parece dizer

tem gente com fome

tem gente com fome

tem gente com fome

Só nas estações

quando vai parando

lentamente começa a dizer

se tem gente com fome

dá de comer

se tem gente com fome

dá de comer

se tem gente com fome

dá de comer

Mas o freio de ar

todo autoritário

manda o trem calar

Pisiuuuuuuuuu

(Cantares ao meu povo, 2.ed., p. 34-5)

Explicação da escolha do poema: O poema toca no coração do leitor quando é lido e mostra a realidade da população afrodescendente da nossa nação, na qual é uma situação difícil historicamente.

Rodrigo Rocha Melquíades – 3º B EM, em 2021.

BAIRROS DE FRANCO DA ROCHA: TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO CONFORME O TEMPO – VILA BAZÚ

TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO CONFORME O TEMPO — VILA BAZÚ

https://www.bing.com/maps?&ty=18&q=Vila%20Baz%C3%BA%2C%20Franco%20da%20Rocha%2C%20S%C3%A3o%20Paulo&ppois=-23.31749725341797_-46.729915618896484_Vila%20Baz%C3%BA%2C%20Franco%20da%20Rocha%2C%20S%C3%A3o%20Paulo_~&cp=-23.317497~-46.729916&v=2&sV=1&FORM=SNAPST

No ano de 2019 a Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar, através do projeto Franco da Rocha: História e Imagens – 2019, realizou uma parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Franco da Rocha para o desenvolvimento do curso “Tecnologia social da memória: patrimônio cultural e metodologias de pesquisa” do Programa Franco Memória, da Secretaria de Municipal de Cultura da Prefeitura de Franco da Rocha.

O projeto Franco da Rocha: História e Imagens – 2019 ficou sob a orientação da Profª de História e Sociologia Mara Cristina Gonçalves da Silva e o curso “Tecnologia social da memória: patrimônio cultural e metodologias de pesquisa” foi ministrado pela Regiane Rocha e José Edilson Teles membros da equipe técnica do Programa Franco Memória em 2019.

Nesta postagem vamos apresentar o artigo científico de nível médio sobre o tema o Bairro da Vila Bazú em Franco da Rocha.

Flávia Daniela Pereira Borges: neusap176@gmail.com

Guilherme Evangelista de Barros: evangelistaguilherme846@gmail.com

Hiago Holanda Matos: hiagoholandamatos@gmail.com

Paola Martelli Falcão: paolamartelli668@gmail.com

Udson do Carmo Santos: udsoncarmo06528@gmail.com

ETEC Dr. Emílio Hernandez Aguilar

Resumo

Desde o início das civilizações, grupos de pessoas foram sendo formados onde os integrantes desenvolviam suas moradias, construíam suas vidas e cuidavam das suas famílias. Nas cidades modernas, este quadro não muda o êxodo decorrente da urbanização – com mais intensidade a partir da metade do século XX – impactou Franco da Rocha de tal maneira que bairros fossem criados e se desenvolvessem ao ponto de quadruplicar de tamanho em poucos anos. Com um crescimento tão abundante assim, Franco da Rocha até hoje é uma das escolhas de muitas famílias. 

Palavras chaves: Franco da Rocha, bairros, Vila Bazu, cidade, moradores e memórias.

Abstract

From the beginning of civilizations, groups of people were formed where members developed their homes, built their lives and took care of their families. In modern cities, this picture does not change, the exodus resulting from urbanization – more intensely from the middle of the twentieth century – impacted Franco da Rocha in such a way that neighborhoods were created and developed to the point of quadrupling in size in a few years. With such abundant growth, Franco da Rocha to this day is one of the choices of many families.

Keywords: Franco da Rocha, neighborhoods, Vila Bazu, city, residents and memories.

Introdução

            Serão abordados nesta pesquisa, em forma de artigo, fatos ocorridos no bairro da Vila Bazu, mudanças físicas e sociais com a cooperação de uma moradora, que foi entrevistada e também foram pesquisadas outras fontes históricas como pesquisa de imagens. Essa pesquisa foi parte integrante do Projeto Franco da Rocha: História e Imagens – 2019 orientado pela professora de História e Sociologia Mara Cristina Gonçalves da Silva da Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e o projeto Franco Memória.

Justificativa

            Esses conjuntos, os bairros, reunidos formam a nossa grande cidade de Franco da Rocha, sejam eles grandes ou pequenos, os antigos ou mais recentes, merecem a nossa atenção pela grande importância que tem, não só para os que usufruem do meio, mas para a cidade como um todo. Restaurar as memórias que foram se perdendo – por não terem sido tratadas com o esmero devido ou por simplesmente terem se pedido – é de grande valor. Não se pode conhecer o seu futuro sem ter noção do seu passado.

            Os bairros escolhidos para serem trabalhados foram Parque Paulista e Vila Bazu, com os seguintes critérios para escolha: são bairros em que residem os membros do projeto e aqueles que não foram trabalhados em anos anteriores.

“O viajante de muitos tempos e lugares reconhece em seu caminho os vestígios da proximidade com a cidade. Sobre montanhas, rios e pedras da natureza primeira se implanta uma segunda natureza, manufaturada, feita de milhares pelas geométricas.” (ROLNIK, 1988, p. 07).

Objetivos da pesquisa

            Partindo do pressuposto de que todos têm o direito de conhecer o seu passado, sem nada a ser negado para a construção do seu futuro, o foco desta pesquisa é manifestar as memórias que ainda não foram emersas.

            As memórias pessoais e coletivas vão ao encontro da construção histórica daqueles que vivem em constante contato com o meio. Levadas como marco em suas vidas, estas memórias serão, com base em entrevistas por áudio e transcrições, cedidas legalmente com a autorização dos entrevistados, registradas neste artigo.

“(…) O próprio espaço urbano se encarrega de contar parte de sua história. A arquitetura, esta natureza fabricada, na perenidade de seus materiais tem esse dom de durar, permanecer, legar ao tempo os vestígios de sua existência. Por isso, além de continente das experiências humanas, a cidade é também um registro, uma escrita, materialização de sua própria história.” (ROLNIK, 1988, p. 09).   

Metodologia

1. Conhecimento e definição sobre os conjuntos formados pelas pessoas nas cidades.

2. Entender o motivo pelo qual se foi realizado esta pesquisa.

3. Participação em árduo trabalho ao encontro de não novos moradores locais.

4. Conversar os resultados por interpretações da entrevista cedida.

Desenvolvimento

            No dia 10 de outubro de 2019, os alunos da Escola Técnica Dr. Emílio Hernandez Aguilar – Hiago Holanda Matos e Udson do Carmo Santos – realizaram uma entrevista com a moradora Aglenia de Jesus Conceição, oriunda de Aracaju, Sergipe, e residente anterior também a cidade de Brasília, mudou – se para o distrito de Jaraguá, São Paulo, e logo para Franco da Rocha onde reside até os dias de hoje na Vila Bazu. Vejamos alguns trechos dessa entrevista:

– A gente está entrevistando a dona…?

– Aglenia

– Qual é o nome completo da senhora?

– Aglenia de Jesus Conceição

– Dona Aglenia, a senhora mora neste bairro a quanto tempo?

– 35 anos.

 – Por que a senhora veio morar aqui na cidade? E no bairro?

 – Por… (pensando) pela necessidade, porque na época eu pagava aluguel, e aí a gente foi juntando um pouco de dinheiro; para dizer a verdade o único lugar que deu pra comprar foi aqui em Franco da Rocha, e, eu cheguei aqui… achei que era horrível, porque não tinha ninguém, não tinha nada! Mas eu me dei bem, porque eu fiz minha “casinha” parei de pagar aluguel e adoro esta cidade de Franco da Rocha, quem quiser falar que ela tem enchente, que tem isso, que tem aquilo pode falar, mas eu adoro (risos).

 – Aqui já era vila Bazu?

– Era, era. […]

 – Sempre foi?

 – Sempre foi, a única coisa que eu sei que mudou, foi o nome da Conde D’eu, agora é o outro nome, mas eu não sei.

 – Aqui na região, meios públicos, escola, parque…

– Não! Foi tudo ótimo, eu gostei. O primeiro ano a gente teve a divisão das escolas, a escola de madeira, logo quando construíram a Bovo (escola).

[…]

 – Dionysio Bovo (Escola Municipal de Educação Básica)?

 – É. Meus filhos… o Alexsandro não, mas a minha outra filha, a Nana, estudou aqui e depois veio pra Bovo; terminou aqui no Isaura.

 – Essa escola de madeira que a senhora tinha falado, é referente à que?

– Ali era uma sede, todo mundo chama como se fosse uma sede. Ali já foi abrigo de menores, depois foi abrigo de idosos, e antes era salão de baile. Em 85 ainda lembro porque aconteceu um fato lá. Em 85 era salão de baile, mas ali servia de tudo, ali servia para velar pessoas, para fazer carnaval, para fazer tudo que existia aqui no bairro, faziam torneios de jogos, essas coisas, tudo era ali. […]

– A senhora disse que em 1985 teve um fato que marcou…
Eles faziam carnaval, para as crianças, tinha os horários né, a noite era pros adultos. Mataram uma pessoa, um rapaz, lá dentro. Eu lembro que minha filha estava com o pé quebrado, estava sentada na mesa, mas eu vi aquela imagem daquele rapaz lá, ainda mais que o cara atirou nele, tirou o relógio [dele]. […]

– E como era quando você chegou aqui?

Não tinha nada, só aquele mercadinho do Vermelho mesmo. O açougue era lá dentro mesmo, depois que foi passando o tempo né, os anos, aí começou chegar açougue, chegou farmácia, aí depois de muitos anos chegou uma farmácia muito famosa aqui na Vila Bazu, que era a o Sr. Henrique que comandava esta farmácia. Ele era tudo pra gente.

– Ele era o “médico” da vila?
É, eu uma vez [tive] uma alergia, não dava para ir ao médico, eu fui lá e… tudo ele resolvia, ainda pra completar vendia fiado para nós. Na época a gente não tinha cartão, tinha talão de cheque, quem tinha talão de cheque passava no cheque pra ele, mas quem não tinha ia no fiado mesmo. […]

– A segurança do bairro, ela te agrada?
Agrada. Não tenho nada! Olha a única coisa que aconteceu aqui, [foi que] roubaram a televisão [da mulher], que morava aqui, de aluguel, e roubaram a da minha filha, mas estava aberto também! Mas a gente sabe quem foi né? Mas nunca presenciei nada assim.

Podemos notar por meio das palavras de Aglenia como é a vida de muitos moradores do bairro. O crescimento populacional teve um impacto muito grande na vida dos residentes. O desenvolvimento econômico – crescimento dos estabelecimentos comerciais como açougue, farmácia, minimercados, clínicas veterinárias entre outros -, a infraestrutura – asfalto, eletricidade, escolas, creche e o posto de saúde, embora seja localizado em outro bairro, o prédio é próximo, academia e outros elementos necessários para o uso e a mobilidade até os locais de uso público.

– Aqui na região, meios públicos, escola, parque…

– Não! Foi tudo ótimo, eu gostei. O primeiro ano a gente teve a divisão das escolas, a escola de madeira, logo quando construíram a Bovo (escola).

“– E como era quando você chegou aqui?”

“– Não tinha nada, só aquele mercadinho do Vermelho mesmo. O açougue era lá dentro mesmo, depois que foram passando o tempo né, os anos, aí começou chegar açougue, chegou farmácia, aí depois de muitos anos chegou uma farmácia muito famosa aqui na Vila Bazu, que era a o Sr. Henrique que comandava esta farmácia. Ele era tudo pra gente.” Aglenia de Jesus Conceição.

Aglenia de Jesus Conceição em sua casa, 25 de outubro de 2019. Foto de Yago do Carmo Marques.

Considerações finais

                Devemos trazer à tona todas as memórias que são relevantes para as construções históricas de algo. No caso abordado, foi feita uma análise minuciosa com base em pesquisas.

            Não podemos deixar o fator principal para a construção do bairro da Vila Bazu, muitas pessoas se mudaram para este bairro por causa das necessidades econômicas que acercaram as famílias nas décadas de 1950 até 1970. As mudanças que ocorreram neste conjunto de tempo demonstram os avanços produzidos pelos seus esforços e as satisfações que os moradores obtiveram.

            O desenvolvimento econômico local através dos comércios como açougue, minimercados, farmácias, padarias e mercearias possibilitou uma grande evolução na qualidade de vida dos moradores, o desenvolvimento desse comércio supriu a necessidade de se locomover ao centro do município para a aquisição de simples produtos cotidianos é um avanço estrutural que pode ser observado neste bairro de forma intensa; assim como é analisado nos meios públicos como escolas, creche, transporte coletivo, CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e posto de saúde, a mobilidade e a qualidade de atendimento obtiveram saltos de desenvolvimento.              

            A pesquisa sobre imagens a partir da década de 1930, realizadas via internet, não foram localizadas, somente imagens atuais. 

Referência bibliográfica

ROLNIK, Raquel. O que é cidade. SP: Editora Brasiliense, 1988. (Coleção: Primeiros Passos).

Para ler o artigo na formatação da ABNT:

CONSCIÊNCIA NEGRA: OBSERVAR O NÃO VISTO – V

Revista Filosofia Ciência e Vida – Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor nº 89, p. 36.

Estamos publicando uma sequência de pesquisas realizadas pelos (as) estudantes do 3º ano B do Ensino Médio da Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar, em 2021, a partir do texto “Consciência Negra: Observar o não visto” da Revista de Filosofia (www.portalcienciaevida. com.br), Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor – Reflexões e Prática 89, ps 36 a 42.


Realizamos leitura em aula do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre e como atividade foram realizadas as pesquisas que estamos postando.

Para quem quiser ler, segue o arquivo do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre:

Machado de Assis

Biografia Machado de Assis

Machado de Assis nasceu no dia 21 de junho de 1839, em uma parte mais marginalizada do Rio de Janeiro, ele era negro, descendente de escravos e muito pobre e logo aos 16 anos de idade Machado saiu de casa para trabalhar de aprendiz de tipógrafo nos jornais da capital.

Durante o tempo que passou naquele emprego Machado conheceu o autor de “memórias de um sargento de milícias”, e essa amizade foi fundamental para o início da carreira de escritor do mesmo. Machado de Assis continuou trabalhando nos jornais até que recebeu a oportunidade de escrever crónicas, que inicialmente eram sobre assuntos relacionados à política mas depois de algum tempo passou a ser sobre os costumes da época e após uma carreira de mais de 40 anos o escritor já havia escrito mais de 600 textos relacionados à cultura carioca.

Em 1897, Machado fundou a Academia Brasileira de Letras, onde ocupou o posto de presidente por 10 anos. Para além da carreira letrada, Machado de Assis também ocupou diversos cargos públicos, tornando-se uma proeminente figura de sua época.

Em 1866 Carolina Augusta Xavier de Morais chegou ao rio de Janeiro, irmã de um grande amigo de Machado, não demorou muito para que os dois se aproximassem e se apaixonassem. Três anos após a chegada de Carolina, em 1869, eles se casam e continuam apaixonados até 1904 quando Carolina acaba falecendo e Machado de Assis coloca todo seu luto em novos poemas em homenagem à sua falecida esposa, que acabam se tornando os mais famosos de sua carreira.

Ao fim de sua vida Machado de Assis já havia sido tomado pela depressão e aos 69 anos ele vem à falecer no dia 29 de setembro de 1908.

Música afro-brasileira – Carlinhos Brown – Carnavalia

Bom dia, comunidade!

Vem pra minha ala que hoje a nossa escola vai desfilar
Vem fazer história que hoje é dia de glória nesse lugar
Vem comemorar, escandalizar ninguém
Vem me namorar, vou te namorar também
Vamos pra avenida, desfilar a vida, carnavalizar

Na Portela tem, Mocidade, Imperatriz
No Império tem uma vila tão feliz
Beija-Flor vem ver a porta-bandeira
Na Mangueira tem morena da tradição

Sinto a batucada se aproximar
Estou ensaiado para te tocar

Repique tocou, o surdo escutou
E o meu corasamborim (samborim)
Cuíca gemeu, será que era eu
Quando ela passou por mim?

Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá (aonde?)
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá

Vem pra minha ala que hoje a nossa escola vai desfilar
Vem fazer história que hoje é dia de glória nesse lugar
Vem comemorar, escandalizar ninguém
Vem me namorar, vou te namorar também
Vamos pra avenida, desfilar a vida, carnavalizar

Na Portela tem, Mocidade, Imperatriz
No Império tem uma vila tão feliz
Beija-Flor vem ver a porta-bandeira
Na Mangueira tem morena da tradição

Sinto a batucada se aproximar
Estou ensaiado para te tocar

Repique tocou, o surdo escutou
E o meu corasamborim (samborim)
Cuíca gemeu, será que era eu
Quando ela passou por mim?

Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá (aonde?)
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá (aonde?)

Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá (aonde?)
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá (diga aonde, aonde?)
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá (aonde?)
(Diga aonde) Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá (aonde?)

lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Aonde? lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá

(Mayara Martins Santos)

Dança afro-brasileira

Escolhi essa música, visto que, é de uma cantora, contemporânea, que representa muito bem a população negra, sem contar que nessa canção, ela fala da onde ela cresceu, exaltando as suas raízes e a sua cultura.

Por fim, escolhi essa dança, pois, da mesma forma que a música, ela representa muito bem a cultura afro-brasileira, tendo uma coreográfica muito característica. (Gilson Dias Ramos Junior)

Solano Trindade – Biografia

Francisco Solano Trindade nasceu em Recife no dia 24 de julho de 1908, filho de mestiço negro com branca. Solano cursou até o segundo grau em recife, ainda jovem em meados da década de 20 começou a escrever seus primeiros poemas e descobriu sua paixão pela poesia.

Em 1934 Francisco foi um dos organizadores e idealizadores do primeiro congresso afro-brasileiro realizado no Rio de Janeiro e liderado por Gilberto Freyre.

Na década de 40 Solano passa por Belo Horizonte e Rio Grande do Sul, onde funda um grupo de arte popular em Pelotas. Em 1942 ele volta para o Rio de Janeiro e se fixa na capital, onde ao passar dos anos vai publicando suas principais obras como, “Poemas de uma vida simples” (1944). Ainda em 1944 o poeta foi perseguido e preso por conta de um trecho em seu livro “tem gente com fome”. No ano seguinte, ao lado do amigo Abdias do Nascimento, constituíram o Comitê Democrátrico Afro-brasileiro, que se estabeleceu como o braço político do Teatro Experimental do Negro, liderado por Abdias.

Embora participasse de muitas atividades junto ao TEN, no ano de 1950 Solano fundou, ao lado de sua esposa Margarida Trindade e do intelectual Édson Carneiro, o Teatro Popular Brasileiro (TPB), grupo com sede na UNE, cujo elenco era formado por operários, domésticas e estudantes e que tinha como temática e inspiração algumas das principais manifestações culturais brasileiras, como o bumba-meu-boi, os caboclinhos, o coco e a capoeira. O grupo adaptava para o teatro números de dança e música da cultura popular afro-brasileira e indígena. Cinco anos mais tarde, o poeta criou o grupo de dança Brasiliana, que realizou, com destaque, inúmeras apresentações no exterior. 


            Em finais da década de cinquenta, Solano resolve fixar as atividades do Teatro Popular Brasileiro na cidade de São Paulo, na tentativa de aproveitar a intensa vida cultural da cidade. Nessa expectativa, muda-se para a cidade de Embu, localizada na grande São Paulo, onde lança o seu livro “Cantares do Meu Povo”. Entre 1961 e 1970, Solano viveu em Embu das Artes. Enquanto esteve por lá, transformou o município em um verdadeiro centro cultural, para onde foram diversos artistas que passaram a viver de arte. Na cidade, o TPB viveu a sua melhor fase, sendo que as apresentações do grupo eram sempre muito concorridas.

O artista adoeceu no início da década de 70, sofrendo de pneumonia e arteriosclerose, foi internado em diversos hospitais, até vir a falecer no Rio de Janeiro, em 20 de fevereiro de 1974. Atualmente, sua filha Raquel Trindade e seus netos são os responsáveis pela continuidade da sua obra. A família vive em Embu das Artes, onde há um teatro popular com o nome de Solano Trindade, além de uma escola e uma rua que homenageiam o poeta. No Rio de Janeiro foi criado em 1975 o Centro Cultural Solano Trindade e no ano seguinte, em São Paulo, a Escola de Samba Vai-Vai desfilou pelo sambódromo homenageando a vida desta importante personalidade da nossa cultura. (Mayara Martins Santos).

Poema escolhido pelo estudante Arthur Aleixo Soares dos Santos. https://www.pensador.com/frase/MjgwODIwMg/

O poema escolhido foi Canta América por ser uma clara crítica ao nazismo e tudo o que ele prega de errado, pois ele viveu na mesma época em que aconteceu a segunda guerra mundial e mesmo depois de décadas esse problema racista ainda se apresenta em muitos lugares, ultimamente em mais evidencia o governo fascista que nos governa.

Neste post temos textos dos estudantes:

Mayara Martins Santos – 3º B EM

Gilson Dias Ramos Junior – 3º B EM

Arthur Aleixo Soares dos Santos – 3º B EM, em 2021.

CONSCIÊNCIA NEGRA: OBSERVAR O NÃO VISTO – IV

Revista Filosofia Ciência e Vida – Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor nº 89, p. 36.

Estamos publicando uma sequência de pesquisas realizadas pelos (as) estudantes do 3º ano B do Ensino Médio da Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar, em 2021, a partir do texto “Consciência Negra: Observar o não visto” da Revista de Filosofia (www.portalcienciaevida. com.br), Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor – Reflexões e Prática 89, ps 36 a 42.


Realizamos leitura em aula do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre e como atividade foram realizadas as pesquisas que estamos postando.

Para quem quiser ler, segue o arquivo do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre:

Pesquisar sobre um (a) escritor (a) negro (a), com o a sua biografia contextualizada historicamente.

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa6851/conceicao-evaristo

De origem humilde, nascida em 1946, na cidade de Belo Horizonte em Minas Gerais, Maria da Conceição Evaristo de Brito conquistara não só o Brasil, mas o mundo com suas obras.

Irmã de 8 irmãos, Conceição Evaristo descreve boas lembranças do cuidado de sua mãe, ao lado de seu padrasto. As devidas condições de estudos, no entanto, só foram possíveis quando a mesma foi morar com seus tios, para que sua mãe tivesse um gasto a mais. A jornada de trabalho teve início aos 8 anos de idade, quando Maria se dispunha a cuidar de outras crianças, a ajudar em tarefas escolares e até mesmo auxiliar a mãe e a tia que eram lavadeiras, tendo experimentado até a venda de sucatas. “E no final da década de 60, quando o diário de Maria Carolina de Jesus, lançado em 58, rapidamente ressurgiu, causando comoção aos leitores das classes abastadas brasileiras, nós nos sentíamos como personagens dos relatos da autora. Como Carolina Maria de Jesus, nas ruas da cidade de São Paulo, nós conhecíamos nas de Belo Horizonte, não só o cheiro e o sabor do lixo, mas ainda, o prazer do rendimento que as sobras dos ricos podiam nos ofertar. Carentes de coisas básicas para o dia a dia, os excedentes de uns, quase sempre construídos sobre a miséria de outros, voltavam humilhantemente para as nossas mãos. Restos.”, depôs Maria.

A escritora relata também, em um depoimento no I Colóquio de Escritoras Mineiras, sua luta ainda no “primário”, para conseguir lugar em atividades que apenas privilegiados, brancos, podiam participar e que, desde então, se destacava na produção de redações.

Conceição Evaristo, aquela que lutava pelo que queria desde a infância, se graduou em Letras pela UFRJ, trabalhou como professora da rede pública de ensino da capital fluminense, é Mestre em Literatura Brasileira pela PUC do Rio de Janeiro, com a dissertação Literatura Negra: uma poética de nossa afro-brasilidade (1996),

e Doutora em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense, com a tese Poemas malungos, cânticos irmãos (2011),

na qual estuda as obras poéticas dos afro-brasileiros Nei Lopes e Edimilson de Almeida Pereira em confronto com a do angolano Agostinho Neto.

Sua estreia na literatura foi em 1990, com a publicação de contos e poemas na série Cadernos Negros. As obras refletem sua participação ativa em movimentos que prezam a valorização da cultura negra no Brasil, assim como sua versatilidade, que cultiva a poesia, a ficção e o ensaio. E desde então suas obras angariam cada vez mais leitores, tendo participação de publicações na Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra. Além disso, seus contos vêm sendo estudados não só em universidades brasileiras, mas também do exterior, se tornando inclusive objeto de tese de doutorado.

Atualmente, três de seus livros foram traduzidos para o francês e publicados em Paris, além de receber novas edições em terras brasileiras. Outrossim, em 2017, aspectos da vida e da literatura da escritora foram contemplados pelo Itaú Cultural de São Paulo, através da Ocupação Conceição Evaristo.

Em 2018, a escritora recebeu o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra.

Para conhecer a obra “Olhos D’Água” da Maria Conceição Evaristo:

Pesquisar pelo menos uma música (coloque a letra e o link da música) e uma dança afro-brasileira (coloque uma fotografia e o link de uma apresentação dessa dança), explique suas escolhas.

Várias qualidades de samba.

Não deixe o samba morrer

Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De samba para gente sambar

Quando eu não puder
Pisar mais na avenida
Quando as minhas pernas
Não puderem aguentar

Levar meu corpo
Junto com meu samba
O meu anel de bamba
Entrego a quem mereça usar

Quando eu não puder
Pisar mais na avenida
Quando as minhas pernas
Não puderem aguentar
Levar meu corpo
Junto com meu samba
O meu anel de bamba
Entrego a quem mereça usar

Eu vou ficar
No meio do povo espiando
Minha Escola perdendo ou ganhando
Mais um carnaval
Antes de me despedir
Deixo ao sambista mais novo
O meu pedido final

Antes de me despedir
Deixo ao sambista mais novo
O meu pedido final

Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De Samba, pra gente sambar

Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De Samba, pra gente sambar

Quando eu não puder
Pisar mais na avenida
Quando as minhas pernas
Não puderem aguentar
Levar meu corpo
Junto com meu samba
O meu anel de bamba
Entrego a quem mereça usar

Quando eu não puder
Pisar mais na avenida
Quando as minhas pernas
Não puderem aguentar
Levar meu corpo
Junto com meu samba
O meu anel de bamba
Entrego a quem mereça usar

Eu vou ficar
No meio do povo espiando
Minha Escola perdendo ou ganhando
Mais um carnaval
Antes de me despedir
Deixo ao sambista mais novo
O meu pedido final

Antes de me despedir
Deixo ao sambista mais novo
O meu pedido final

Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De Samba, pra gente sambar

Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
O morro foi feito de samba
De Samba, pra gente sambar

O samba é um gênero que inclui música e dança, que se apresenta como forte símbolo cultural brasileiro, com origem no Brasil, criado por negros africanos.

A música escolhida, Não deixe o samba morrer, além de explicitar o poder do samba enquanto elemento cultural, cita as origens e a presença do gênero na vida do brasileiro. O carnaval, por exemplo, é uma festa popular baseada principalmente no samba e que move pessoas ao redor do mundo quando se trata de celebração.

Pesquisar o poeta Solano Trindade, sua biografia contextualizada historicamente e escolha um poema dele e justifique. 

Filho do sapateiro Manoel Abílio e da doméstica Emerenciana Quituteira, Francisco Solano Trindade nasceu no bairro de São José, Recife-PE, em 24 de julho de 1908. Fruto da miscigenação étnica, o autor era neto de preto e branca, por parte paterna e preto e índia, pelo lado materno. Conclui o equivalente ao atual ensino médio no Liceu de Artes e Ofícios da capital pernambucana.

O pai, que sempre propiciou o contato com a cultura popular e o folclore, também despertou o fascínio do menino pelo carnaval, por suas figuras, pelo maracatu e frevo. Para a mãe lia novelas, literatura de cordel e poesia romântica, estabelecendo um contato com o mundo das escritas desde cedo. Já adulto, em 1935, o escritor se casou com Maria Margarida, com quem teve quatro filhos.

No contexto da década de 1930, marcada pela ascensão do nazismo e do fascismo, a discriminação racial existente no Brasil desde a colonização foi fortemente impulsionada. “O autoritarismo segregador defendido pelo discurso nazi-fascista se espalhou pelo país a partir da crescente pregação do Partido Integralista, dirigido pelo também escritor Plínio Salgado. Em contrapartida, deu-se o fortalecimento na Imprensa Negra e a criação da Frente Negra Brasileira, que também se organiza em forma de partido político e fortalece a resistência dos afrodescendentes em sua luta pela obtenção da cidadania plena, a começar pelo direito à Educação, passados pouco mais de 40 anos de vigência da Lei Áurea.”

Enquanto isso, Solano Trindade participava em Recife do I Congresso Afro-brasileiro, organizado por Gilberto Freyre, que reuniu dezenas de intelectuais voltados para a discussão da contribuição cultural da diáspora africana em nosso país, participando também do II Congresso Afro-brasileiro, realizado posteriormente em Salvador.

Fundou então, no ano de 1936, em concordância com os movimentos em prol da consciência negra, a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-Brasileira, com o poeta Ascenso Ferreira, o pintor Barros e o escritor José Vicente Lima. O objetivo era, principalmente, promover a pesquisa da afrodescendência na cultura e na história, buscar a expressão afro-brasileira na literatura e nas artes em geral, além de promover a divulgação de intelectuais e artistas negros. No mesmo ano o autor estreava na literatura com a obra Poemas Negros, que polemizou com o livro homônimo do também nordestino Jorge de Lima, lançado no mesmo ano e trazendo a público o discutido poema “Nêga Fulô”.

Após passar por Belo Horizonte e Porto Alegre, Solano se fixou no Rio de Janeiro, onde integrou círculos literários e culturais, compartilhando conhecimento com outros artistas afrodescendentes. “Em 1950, Solano Trindade funda em Caxias, na Baixada Fluminense, ao lado da esposa, Margarida Trindade, e do sociólogo Edison Carneiro, o Teatro Popular Brasileiro, que contava com um elenco formado por domésticas, operários e estudantes e tinha como projeto estético-ideológico ‘pesquisar na fonte de origem e devolver ao povo em forma de arte.’ Ainda na década de 1950, os espetáculos de canto e dança apresentados pelo TPB foram levados a vários países da Europa.”

Doente e cansado, Solano Trindade deixa Embu para residir em São Paulo. Termina seus dias pobre e esquecido numa clínica no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1974, vítima de pneumonia, após o lançamento do quarto livro, em 1961, Cantares ao meu povo.

Gravata colorida

Quando eu tiver bastante pão
para meus filhos
para minha amada
pros meus amigos
e pros meus vizinhos
quando eu tiver
livros para ler
então eu comprarei
uma gravata colorida
larga
bonita
e darei um laço perfeito
e ficarei mostrando
a minha gravata colorida
a todos os que gostam
de gente engravatada… 

           (O poeta do povo, p. 89)

Gravata Colorida, o poema escolhido do autor, retrata, infelizmente, um contexto de pobreza e fome que não só era realidade da contemporaneidade de Solano, mas que perdura até os dias de hoje, quando analisamos que as minorias ainda são as mais privilegiadas. O trecho “quando eu tiver livros para ler” idealiza a condição em que vivem, por exemplo, jovens de periferia, que até os dias de hoje lutam por condições melhores de estudo, em uma realidade em que se cogita a implantação do estudo a distância em um país em que alguns não têm ao menos livros e precisam ter aparelhos eletrônicos para estudar.

FONTES DE PESQUISA:

Maine Alves Alcanfor – 3º B EM, em 2021.

CONSCIÊNCIA NEGRA: OBSERVAR O NÃO VISTO – III

Revista Filosofia Ciência e Vida – Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor nº 89, p. 36.

Estamos publicando uma sequência de pesquisas realizadas pelos (as) estudantes do 3º ano B do Ensino Médio da Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar, em 2021, a partir do texto “Consciência Negra: Observar o não visto” da Revista de Filosofia (www.portalcienciaevida. com.br), Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor – Reflexões e Prática 89, ps 36 a 42.


Realizamos leitura em aula do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre e como atividade foram realizadas as pesquisas que estamos postando.

Para quem quiser ler, segue o arquivo do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre:

a) Pesquisar sobre um (a) escritor (a) negro (a), com o a sua biografia contextualizada historicamente.

Escritora Maria Firmino dos Reis, imagem representativa. https://desmanipulador.blogspot.com/2019/10/maria-firmino-dos-reis.html

Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira, nasceu no dia 11 de março de 1822, em São Luís, no estado do Maranhão. Além de escritora, foi professora primária, de 1847 a 1881, e musicista. Em 1859, publicou Úrsula, sua obra mais conhecida, com o pseudônimo de Uma Maranhense, e a partir daí, passou a escrever para vários jornais, onde conseguiu publicar alguns de seus poemas.

Para ler o romance Úrsula de Maria Firmino dos Reis:


Apesar de estar distante do Rio de Janeiro, centro político do país naquele século, suas obras mostram que ela também sofreu a influência dos acontecimentos históricos nacionais. A autora está, portanto, inserida no contexto que propiciou o surgimento e desenvolvimento do romantismo no Brasil.


Em 1815, quando o Brasil deixou oficialmente a sua condição de colônia e transformou-se em reino governado por D. João VI (1767-1826). Como evolução desse acontecimento, anos depois, em 1822, ocorreu a independência do Brasil, proclamada por D. Pedro I (1798-1834), o que estimulou o sentimento nacionalista nos artistas e permitiu o surgimento, em terras brasileiras,
do romantismo.


Outro fato histórico que influenciou a escrita romântica foi o surgimento dos movimentos abolicionistas, que levaram à promulgação de leis como a Lei Eusébio de Queirós (1950), que proibia o tráfico de escravos; a Lei do Ventre Livre (1871), que decretava a liberdade dos filhos de escravas que nascessem a partir da data de sua promulgação; a Lei dos Sexagenários (1885), que dava a liberdade aos escravos com 60 anos ou mais; e, por fim, a Lei Áurea (1888), que aboliu a escravidão no país.


Em 1880, adquiriu o título de mestra régia. Nesse mesmo ano, criou uma escola gratuita para crianças, mas essa instituição não durou muito. Por ser uma escola mista, a iniciativa da professora, na época, provocou descontentamento em parte da sociedade do povoado de Maçaricó. Assim, a escritora e professora entrou para a história como a fundadora da “primeira escola mista do país”. Já aposentada, continuou lecionando em Maçaricó para filhos de lavradores e fazendeiros.


Morreu em 11 de novembro de 1917 e suas obras ficaram esquecidas até 1962, quando o historiador Horácio de Almeida colocou a escritora em evidência.

b) Pesquisar pelo menos uma música (coloque a letra e o link da música) e uma dança afro-brasileira (coloque uma fotografia e o link de uma apresentação dessa dança), explique suas escolhas.

Nego Dito – Itamar Assumpção


Letra:


Meu nome é
Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé


Eu me invoco, eu brigo
Eu faço, eu aconteço
Eu boto pra correr
Eu mato a cobra e mostro o pau
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé


Tenho o sangue quente
Não uso pente meu cabelo é ruim
Fui nascido em Tietê
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé


Não gosto de gente
Nem transo parente
Eu fui parido assim
Apaguei um no Paraná, pá, pá, pá, pá
Meu nome é Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé


Quando tô de lua
Me mando pra rua pra poder arrumar
Destranco a porta a pontapé
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé

Se tô tiririca
Tomos umas e outras pra baratinar
Arranco o rabo do satã
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé

Se chamá polícia
Eu viro uma onça
Eu quero matar
A boca espuma de ódio
Pra provar pra quem quiser ver e comprovar
Me chamo Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé
Benedito João dos Santos Silva Beleléu
Vulgo Nego Dito, Nego Dito cascavé

Se chamá polícia
(Eu viro uma onça)
A boca espuma
(Eu vou cortar tua cara)
E se chamá polícia
(Vou retalhá-la com navalha)
(Eu viro uma onça)
A boca espuma de ódio

Escolhi essa música, pois é um marco da Vanguarda Paulistana, um movimento cultural brasileiro ocorrido na cidade de São Paulo entre 1979 e 1985. Nego Dito é um personagem criado pelo compositor e a música denuncia a marginalização vivida por ele.

Para saber mais sobre o movimento cultural Vanguarda Paulistana, ver o link:

https://arteref.com/movimentos/5-curiosidades-sobre-a-a-vanguarda-paulista/

Maracatu


O maracatu é uma tradição criada em Pernambuco, durante o período colonial, que faz parte do folclore brasileiro. Ele pode assumir várias formas e combina dança, música e religiões de matriz africana com elementos das culturas indígena e portuguesa.
Os cortejos fazem referência às cortes africanas e apresentam vários personagens como o rei, a rainha e a baianas.
Popular em regiões como Recife e Nazaré da Mata, o maracatu é o ritmo afro-brasileiro mais antigo e pode prestar homenagem a alguns orixás do Candomblé.

https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2018/02/carnaval-pernambuco-maracatu.jpg

c) Pesquisar o poeta Solano Trindade, sua biografia contextualizada historicamente e escolha um poema dele e justifique.


Francisco Solano Trindade nasceu em 24 de julho 1908, no bairro de São José, em Recife, filho do sapateiro Manoel Abílio e da doméstica Emerenciana Quituteira. Além de poeta, foi pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Legítimo poeta da resistência negra por excelência.


Estabeleceu contato com a cultura popular e o folclore desde cedo, levado pelas mãos do pai que, nos dias de folga, dançava Pastoril e Bumba-meu-boi nas ruas do Recife. O carnaval, suas figuras, o maracatu, e o frevo fascinavam o menino. A pedido da mãe, analfabeta, lia novelas, literatura de cordel e poesia romântica, que ambos apreciavam. Se casou em 1935 com Maria Margarida, com quem teve quatro filhos.


A década de 1930 foi marcada pela ascensão do nazismo e fascismo, que levaram o mundo para Segunda Guerra. A noção mítica de “raça superior” impulsiona fortemente a discriminação racial existente no Brasil desde a colonização. Em contrapartida, dá-se o fortalecimento na Imprensa Negra e a criação da Frente Negra Brasileira, que também se organiza em forma de partido político e fortalece a resistência dos afrodescendentes em sua luta pela obtenção da cidadania plena, a começar pelo direito à Educação, passados pouco mais de 40 anos de vigência da Lei Áurea.


Em 1930, ele começa a compor poemas afro-brasileiros. Em 1934, participa do I e do II Congresso Afro-Brasileiro, no Recife e Salvador. Em 1936, fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro, para divulgação dos intelectuais e artistas negros. Em 1940, transfere-se para Belo Horizonte. Depois chega ao Rio Grande do Sul, fixando-se por um tempo em
Pelotas, onde funda com o poeta Balduíno de Oliveira um grupo de arte popular, que não foi avante por causa das enchentes.
Retornou ao Recife em 1941, mas logo foi para o Rio de Janeiro, onde faz sucesso no “Café Vermelhinho”. Em 1945, funda o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito.

Em 1954, está em São Paulo, criando na cidade de Embu, um polo de cultura e tradições afro-americanas. Em São Paulo também funda o Teatro Popular Brasileiro – TPB, onde desenvolveu intensa atividade cultural voltada para o folclore e para a denúncia do racismo. Em 1955, viaja para a Europa, com o TPB, onde dá espetáculos de canto e dança. Faleceu no Rio de janeiro, em 19 de
fevereiro de 1974.

Sou Negro


Sou negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh`alma recebeu o batismo dos tambores
atabaques, gongôs e agogôs

Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço
plantaram cana pro senhor de engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu

Depois meu avô brigou como um danado
nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso

Mesmo vovó
não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou

Na minh`alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação

Escolhi esse poema, pois ele apresenta o passado do afro-brasileiro. Acredito que seja um símbolo de resistência e mostra o orgulho que ele sente da sua família e da sua cultura.

Aubrey Duarte, 3º B EM, em 2021.

CONSCIÊNCIA NEGRA: OBSERVAR O NÃO VISTO – II

Revista Filosofia Ciência e Vida – Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor nº 89, p. 36.
 

Estamos publicando uma sequência de pesquisas realizadas pelos (as) estudantes do 3º ano B do Ensino Médio da Etec Dr. Emílio Hernandez Aguilar, em 2021, a partir do texto “Consciência Negra: Observar o não visto” da Revista de Filosofia (www.portalcienciaevida. com.br), Ano VIII, nº 100, novembro de 2014, Encarte do Professor – Reflexões e Prática 89, ps 36 a 42.


Realizamos leitura em aula do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre e como atividade foram realizadas as pesquisas que estamos postando.

Para quem quiser ler, segue o arquivo do texto “Orfeu Negro” de Jean Paul Sartre:

Consciência Negra: Observar o não visto

Escritora Carolina Maria de Jesus. https://www.discotecadonelsao.com.br/news/carolina-maria-de-jesus/

Biografia da Escritora Carolina Maria de Jesus


Carolina Maria de Jesus (1914-1977) foi uma autora brasileira, considerada uma das primeiras e mais destacadas escritoras negras do País.
Ela é autora do livro autobiográfico “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”.

Para ler o livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelado”:


• A origem de Carolina
Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, no interior de Minas Gerais, no dia 14 de março de 1914. Neta de escravos e filha de uma lavadeira analfabeta, Carolina cresceu em uma família com mais sete irmãos. A jovem recebeu o incentivo e a ajuda de Maria Leite Monteiro de Barros – uma das freguesas de sua mãe – para frequentar a escola. Com sete anos, ingressou no colégio Alan Kardec, onde cursou a primeira e a segunda série do ensino fundamental. Apesar de pouco tempo na escola, Carolina logo desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita. Em 1924, em busca de oportunidades, sua família mudou-se para Lageado, onde trabalharam como lavradores em uma fazenda. Em 1927, retornaram para Sacramento.


A mudança para São Paulo
Em 1930 a família vai morar em Franca, São Paulo, onde Carolina trabalha como lavradora e, em seguida, como empregada doméstica. Com 23 anos, perde a sua mãe e vai para a capital onde emprega-se como faxineira na Santa Casa de Franca e, mais tarde, como empregada doméstica. Em 1948 muda-se para a favela do Canindé. Nos anos seguintes, Carolina foi mãe de três
filhos, todos de relacionamentos diferentes.

Carolina e a literatura
Morando em uma favela, durante a noite trabalha como catadora de papel. Lê tudo que recolhe e guarda as revistas que encontra. Estava sempre escrevendo o seu dia a dia. Em 1941, sonhando em ser escritora, vai até a redação do jornal Folha da Manhã com um poema que escreveu em louvor a Getúlio Vargas. No dia 24 de fevereiro, o seu poema e a sua foto são publicados no jornal.
Carolina continuou levando regularmente os seus poemas para a redação do jornal. Por esse motivo acabou sendo apelidada de “A Poetisa Negra” e era cada vez mais admirada pelos leitores.
Em 1958, o repórter do jornal Folha da Noite, Audálio Dantas, foi designado para fazer uma reportagem sobre a favela do Canindé e, por acaso, uma das casas visitadas foi a de Carolina Maria de Jesus. Carolina lhe mostrou o seu diário, surpreendendo o repórter. Audálio ficou maravilhado com a história daquela mulher.


A publicação de “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”
No dia 19 de maio de 1958, Audálio publicou parte do texto, que recebeu vários elogios. Em 1959, a revista O Cruzeiro também publica alguns trechos do diário. Somente em 1960 foi finalmente publicado o livro autobiográfico “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, com edição de Audálio Dantas. Com uma tiragem de dez mil exemplares, só durante a noite de autógrafos foram vendidos 600 livros.


• O sucesso de Carolina
Com o sucesso das vendas, Carolina deixa a favela e pouco depois compra uma casa no Alto de Santana.
Recebe homenagem da Academia Paulista de Letras e da Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo.
Nos anos seguintes, Carolina publica: “Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada” (1961), “Pedaços da Fome” (1963) e “Provérbios” (1965).


O declínio de Carolina
Apesar de ter um livro transformado em best seller, Carolina não se beneficiou com o sucesso e não demorou muito para voltar à condição de catadora de papel. Em 1969, mudou-se com os filhos para um sítio no bairro de Parelheiros, em São Paulo, época em que foi praticamente esquecida pelo mercado editorial. Carolina Maria de Jesus faleceu em São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1977.

Música e dança afro-brasileira.
• MÚSICA

A música escolhida foi “O rico e o pobre” escrita e cantada pela escritora já citada, Carolina Maria de Jesus. Eu escolhi essa canção pois há uma ligação com tudo que já foi mencionado, além de uma realista, escrita por quem já viveu as situações que canta.

• Letra:

Ohhh, ohhh, ohhh


(É triste a condição do pobre na terra)
É triste a condição do pobre na terra


Rico quer guerra
Pobre vai na guerra
Rico quer paz
Pobre vive em paz


Rico vai na frente
Pobre vai atrás
Rico vai na frente
Pobre vai atrás


Rico faz guerra, pobre não sabe por que
(2x)
Pobre vai na guerra tem que morrer (2x)


Pobre só pensa no arroz e no feijão
Pobre só pensa no arroz e no feijão

Pobre não envolve nos negócios da nação
Pobre não tem nada com a desorganização
Pobre e rico vence a batalha
na sua pátria rico ganha medalha
o seu nome percorre o espaço


Pobre não ganha nem uma divisa no braço
Pobre não ganha nem uma divisa no braço


Pobre e rico são feridos
porque a guerra é uma coisa brutal
Só que o pobre nunca é promovido


Rico chega a Marechal
Rico chega a Marechal


Ohhhh Ohhh Ohhh

DANÇA
Já como dança, escolhi a Capoeira, que é uma expressão cultural brasileira que compreende os elementos: arte-marcial, esporte, cultura popular, dança e música. A capoeira foi criada no século XVII pelo povo escravizado da etnia banto e se difundiu por
todo o Brasil. Hoje é considerada um dos maiores símbolos da cultura brasileira.

Negros lutando. Pintura por Augustus Earle mostrando negros lutando com passos de Capoeira. Criação: cerca de 1824. https://pt.wikipedia.org/wiki/Capoeira#/media/Ficheiro:CapoeiraEarle_02.JPG

Poeta Solano Trindade

https://www.polifoniaperiferica.com.br/2012/09/22/solano-trindade-a-poesia-negra-de-resistencia/

Francisco Solano Trindade nasceu em Recife, no bairro de São José, filho do sapateiro Manuel Abílio, mestiço de negro com branca, e da quituteira Dona Emerenciana, descendente de negros e indígenas. No Recife, Solano estudou até o segundo grau e
chegou a participar, por um ano, do curso de desenho do Liceu de Artes e Ofícios. Quando ainda era bastante jovem, nasceu o amor de Solano pela poesia e ele começou a compor seus primeiros poemas em meados da década de 20. No início da década seguinte, o poeta foi um dos organizadores e idealizadores do I Congresso Afro-Brasileiro, realizado em 1934 na cidade de Recife e liderado por Gilberto Freyre. Solano também participou em 1937 do segundo congresso Afro-Brasileiro, realizado em Salvador.


No início da década de 40, o poeta segue para Belo Horizonte e depois para o Rio Grande do Sul, onde funda um grupo de arte popular em Pelotas. Pouco tempo depois, volta ao Recife e finalmente segue para a cidade do Rio de Janeiro, onde fixa residência em 1942. Na então Capital Federal, Solano publicou o seu livro “Poemas de uma Vida Simples” em 1944. Devido a um dos poemas do livro, “Tem Gente com Fome”, o poeta foi preso, perseguido e o livro apreendido, embora houvesse, de fato, muita gente passando fome no Brasil. Ainda em 1944, Solano prestigiou o primeiro concerto da Orquestra Afro-Brasileira,
do amigo e maestro Abigail Moura e fundou, com Haroldo Costa, o Teatro Folclórico Brasileiro. No ano seguinte, ao lado do amigo Abdias do Nascimento, constituíram o Comitê Democrático Afro-brasileiro, que se estabeleceu como o braço político do Teatro Experimental do Negro, liderado por Abdias.


Embora participasse de muitas atividades junto ao TEN, no ano de 1950 Solano fundou, ao lado de sua esposa Margarida Trindade e do intelectual Édson Carneiro, o Teatro Popular Brasileiro (TPB), grupo com sede na UNE, cujo elenco era formado por operários, domésticas e estudantes e que tinha como temática e inspiração algumas das principais manifestações culturais brasileiras, como o bumba-meu-boi, os caboclinhos, o coco e a capoeira. O grupo adaptava para o teatro números de dança e música da cultura popular afro-brasileira e indígena. Cinco anos mais tarde, o poeta criou o grupo de dança Brasiliana, que realizou, com destaque, inúmeras apresentações no exterior.


Em finais da década de cinquenta, Solano resolve fixar as atividades do Teatro Popular Brasileiro na cidade de São Paulo, na tentativa de aproveitar a intensa vida cultural da cidade. Nessa expectativa, muda-se para a cidade de Embu, localizada na grande São Paulo, onde lança o seu livro “Cantares do Meu Povo”. Entre 1961 e 1970, Solano viveu em Embu das Artes. Enquanto esteve por lá, transformou o município em um verdadeiro centro cultural, para onde foram diversos artistas que passaram a viver de arte. Na cidade, o TPB viveu a sua melhor fase, sendo que as apresentações do grupo eram sempre muito concorridas.


Solano foi o grande criador da poesia “assumidamente negra”, segundo muitos críticos. Os livros lançados por ele foram: “Poemas de uma Vida Simples”, 1944, “Seis Tempos de Poesia”, 1958 e “Cantares ao meu Povo”, 1961. Como ator, participou dos filmes “Agulha no Palheiro” (1955), “Mistérios da Ilha de Vênus” (1960) e “O Santo Milagroso” (1966). Trabalhou também como artista plástico, pintando quadros a óleo, sendo que um quadro do artista hoje faz parte do acervo do Museu Afro Brasil.
O artista adoeceu no início da década de 70, sofrendo de pneumonia e arteriosclerose, foi internado em diversos hospitais, até vir a falecer no Rio de Janeiro, em 20 de fevereiro de 1974.

Atualmente, sua filha Raquel Trindade e seus netos são os responsáveis pela continuidade da sua obra. A família vive em Embu das Artes, onde há um teatro popular com o nome de Solano Trindade, além de uma escola e uma rua que homenageiam o poeta. No Rio de Janeiro foi criado em 1975 o Centro Cultural Solano Trindade e no ano seguinte, em São Paulo, a Escola de Samba Vai-Vai desfilou pelo sambódromo homenageando a vida desta importante personalidade da nossa cultura.

https://www.jornalnanet.com.br/noticias/23965/teatro-solano-trindade-de-embu-lanca-festival-de-danca-e-poema

Um poema de Solano Trindade

O poema escolhido foi “F. da P.”, eu escolhi esse poema dentre tantas obras para representar a consciência que Solano tinha. Mesmo que julgado, ele não hesitava em escrever o que vivia, via e pensava.

F. da P.

Amor
um dia farei um poema
como tu queres
dicionário ao lado
um livro de vocabulário
um tratado de métrica
um tratado de rimas
terei todo o cuidado
com os meus versos

Não falarei de negros
de revolução
de nada
que fale do povo
Serei totalmente apolítico
no versejar…
Falarei contritamente de Deus
do presidente da República
como poderes absolutos do homem
Nesse dia amor
Serei um grande F. da P.

Referências:

RICHARD HUNT. Best Capoeira Brazil. Youtube, 31/07/2008. Disponível em: < https://youtu.be/6H0D8VaIli0&gt;.

TEIXEIRA, Eduardo. Carolina Maria de Jesus – O pobre e o rico. Youtube, 2013. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=cRS-us_RpUQ&gt;.

FRAZÃO, Dilva. Carolina Maria de Jesus, 05/06/2020. Disponível em: < https://www.ebiografia.com&gt;.

CAMARGO, Oswaldo de. Solano Trindade, Poeta do Povo. São Paulo: Editora Laboratório do curso de Editoração, 2009.

TRINDADE, Solano. Cantares ao meu Povo. São Paulo: Editora Fulgor, 1961.

MELO, Maurício de. O encontro da cultura popular e os meios de comunicação na obra de Solano Trindade – Os anos em Embu das Artes (1961 – 1970). Dissertação (mestrado) Universidade de São Paulo. São Paulo, 2009. 136 p.

Ana Julia Morais Marçal de Freitas – 3º B EM, em 2021.